O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO I - CAP. IV - PRINCÍPIO VITAL 100

relho elétrico. Esse aparelho recolhe eletricidade, como todos os corpos da Natureza, em estado latente. Os fenômenos elétricos só se manifestam quando o fluido é posto em movimento por uma cau-sa especial. Nesse caso, poder-se-ia dizer que o aparelho está vivo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; o aparelho vol-ta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam assim como espécies de pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido determina o fenômeno da vida; a cessação dessa atividade produz a morte.

A quantidade de fluido vital não é fator absoluto  para  todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto que outros dispõem apenas de uma quantidade suficien-te; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo, superabundante.

A quantidade de fluido vital se esgota; pode vir a ser insuficiente para manter a vida, se não se renova pela absorção a assimilação das substâncias que o contêm.

O fluido vital se transmite de um indivíduo para outro. Aque-le que tem o bastante, pode dá-lo àquele que tem pouco e, em certos casos, restabelecer a vida prestes a se apagar.

INTELIGÊNCIA E INSTINTO.

71 - A inteligência é um atributo do princípio vital?

- Não, pois as plantas vivem e não pensam; têm apenas vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência; mas a inteligência não pode se manifestar senão por meio de órgãos materiais; é necessária a união com o espírito para intelectualizar a matéria animalizada.

A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individuali-dade, assim como os meios de estabelecer intercâmbio com o mundo exterior e de prover às suas necessidades.

Podem distinguir-se assim: 1º - os seres inanimados, constituídos de matéria, sem vitalidade nem inteligência, que são os corpos brutos; 2º - os seres animados não pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3º - os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.