O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO V 1000

Sei muito bem que há casos aos quais se pode considerar, com razão, como desesperadores; mas se não há nenhuma esperança fundada de um retorno definitivo à vida e à saúde, não existem inumeráveis exemplos em que, no momento de dar o último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes? Pois bem! essa hora de graça que lhe é concedida, pode ser para ele da maior importância, porque ignorais as reflexões que poderia fazer seu Espírito nas convulsões da agonia, e quantos tormentos pode lhe poupar um relâmpago de arrependimento.

O materialista, que não vê senão o corpo e não considera a alma, não pode compreender essas coisas; mas o espírita, que sabe o que se passa além do túmulo, conhece o valor do último pensamento. Abrandai os últimos sofrimentos quanto esteja em vós; mas guardai-vos de abreviar a vida, não fosse senão de um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro. (SÃO LUÍS, Paris, 1860).

29. Aquele que está desgostoso da vida, mas não quer suicidar-se, é culpável em procurar a morte sobre um campo de batalha, com o pensamento de torná-la útil?

Que o homem se mate ou se faça matar, o objetivo é sempre de abreviar a sua vida e, por conseguinte, há suicídio de intenção se não de fato. O pensamento de que sua morte servirá para alguma coisa é ilusório; não é senão um pretexto para colorir sua ação e excusá-lo aos seus próprios olhos; se ele tinha seriamente o desejo de servir seu país, procuraria viver, defendendo-o em tudo, e não morrer, porque uma vez morto não lhe serve mais para nada. O verdadeiro devotamento consiste em não temer a morte quando se trata de ser útil, em enfrentar o perigo, a fazer por antecipação e sem pesar o sacrifício de sua vida se isso é necessário; mas a intenção premeditada de procurar a morte, expondo-se a um perigo, mesmo para prestar serviço, anula o mérito da ação. (SÃO LUÍS, Paris, 1860).

30. Um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida de um dos seus semelhantes, sabendo de antemão que ele mesmo sucumbirá; isso pode ser considerado um suicídio?

Do momento em que não há intenção de procurar a morte, não há suicídio, mas devotamento e abnegação, em-