O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO VII 1010

uma criança como modelo da simplicidade de coração e diz: Será o maior no reino dos céus, quem se humilhar e se fizer pequeno como uma criança; quer dizer, quem não tiver nenhuma pretensão de superioridade ou de infalibilidade.

O mesmo pensamento fundamental se encontra nesta outra máxima: "Que aquele que quiser tornar-se o maior, seja vosso servidor", e nesta: "Todo aquele que se rebaixa será elevado, e todo aquele que se eleva será rebaixado."

O Espiritismo vem sancionar a teoria pelo exemplo, em nos mostrando grandes no mundo dos Espíritos aqueles que eram pequenos na Terra, e freqüentemente, bem pequenos aqueles que nela eram os maiores e os mais poderosos. É que os primeiros levaram, em morrendo, aquilo que, unicamente, faz a verdadeira grandeza no céu e não se perde: as virtudes; enquanto que os outros deveram deixar o que fazia sua grandeza na Terra, e não se leva: a fortuna, os títulos, a glória, o nascimento; não tendo nenhuma outra coisa, eles chegam no outro mundo desprovidos de tudo, como náufragos que tudo perderam, até suas vestes; não conservaram senão o orgulho que torna sua nova posição mais humilhante, porque vêem acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.

O Espiritismo nos mostra uma outra aplicação desse princípio nas encarnações sucessivas, onde aqueles que foram os mais elevados numa existência, são rebaixados à última posição numa existência seguinte, se foram dominados pelo orgulho e pela ambição. Não procureis, pois, o primeiro lugar na Terra, nem vos colocar acima dos outros, se não quereis ser obrigados a descer; procurai, ao contrário, o mais humilde e o mais modesto, porque Deus saberá vos dar um lugar mais elevado no céu, se o merecerdes.

MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E AOS PRUDENTES

7. Então Jesus disse estas palavras: Eu vos rendo glória, meu Pai, Senhor do céu e da Terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios e aos prudentes, e por as haver revelado aos simples e aos pequenos. (São Mateus, cap. XI, v. 25).

8. Pode parecer singular que Jesus renda graças a Deus por ter revelado essas coisas aos mais simples e aos pequenos, que são os pobres de espírito, e de tê-las ocultado