O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO VIII 1028

amor, tereis colocado o vosso tesouro lá onde os vermes e a ferrugem não podem atingi-lo, e vereis se apagar insensivelmente de vossa alma tudo o que pode manchar-lhe a pureza; sentireis o peso da matéria diminuir dia a dia e, semelhante ao pássaro que plana nos ares, e não se lembra mais da terra, subireis sem cessar, subireis sempre, até que vossa alma embriagada possa se saciar de seu elemento de vida no seio do Senhor. (UM ESPÍRITO PROTETOR, Bordéus, 1861).

BEM-AVENTURADOS AQUELES QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS (1)

20. Meus bons amigos, por que me haveis chamado? É para me fazer impor as mãos sobre a pobre sofredora que está aqui, e a cure? Ah! que sofrimento, bom Deus! Ela perdeu a vista e as trevas se fizeram para ela. Pobre criança! que ore e espere; não sei fazer milagres, sem a vontade do bom Deus. Todas as curas que pude obter, e que vos foram assinaladas, não as atribuais senão àquele que é nosso Pai em tudo.

Em vossas aflições, portanto, olhai sempre o céu, e dizei, do fundo do vosso coração: "Meu Pai, curai-me, mas fazei que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do meu corpo; que minha carne seja castigada, se preciso for, para que minha alma se eleve até vós com a brancura que tinha quando a criastes." Depois desta prece, meus bons amigos, que o bom Deus ouvirá sempre, a força e a coragem vos serão dadas e, talvez, também essa cura que não tereis pedido senão timidamente como recompensa da vossa abnegação.

Mas, uma vez que eu estou aqui, numa assembléia onde se trata, antes de tudo, de estudos, eu vos direi que aqueles que estão privados da vista deveriam se considerar como os bem-aventurados da expiação. Lembrai-vos de que o Cristo disse que seria preciso arrancar vosso olho, se ele fosse mau, e que valeria mais que ele fosse lançado ao fogo do que ser causa de vossa perdição. Ah! quantos há sobre a vossa Terra, que maldirão um dia nas trevas terem visto a luz! Oh!


(1) Esta comunicação foi dada a propósito de uma pessoa cega, para a qual evocamos o Espírito de J. B. Vianney, cura d’Ars.