O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO IX 1034

res. O fardo parece menos pesado quando se olha do alto, do que quando se curva a fronte para o chão.

Coragem, amigos, o Cristo é o vosso modelo; ele sofreu mais do que qualquer de vós e não tinha nada a se censurar, enquanto que vós tendes vosso passado a expiar e vos fortalecer para o futuro. Sede, pois, pacientes, sede cristãos, essa palavra encerra tudo. (UM ESPÍRITO AMIGO, Havre, 1862).

OBEDIÊNCIA E RESIGNAÇÃO

8. A doutrina de Jesus ensina, em toda parte, a obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura, muito ativas, embora os homens as confundam erradamente com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão, a resignação é o consentimento do coração; ambas são forças ativas porque carregam o fardo das provas que a revolta insensata deixa cair. O frouxo não pode ser resignado, assim como o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes. Jesus foi a encarnação destas virtudes desprezadas pela antigüidade material. Ele veio no momento em que a sociedade romana perecia nos desfalecimentos da corrupção; veio fazer luzir, no seio da Humanidade abatida, os triunfos do sacrifício e da renúncia carnal.

Cada época está, assim, marcada com o selo da virtude ou do vício que a deve salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral. Eu digo somente atividade, porque o gênio se eleva de repente e descobre sozinho os horizontes que a multidão não verá senão depois dele, ao passo que a atividade é a reunião dos esforços de todos para atingir um fim menos grandioso, mas que prova a elevação intelectual de uma época. Submetei-vos ao impulso que viemos dar aos vossos espíritos; obedecei à grande lei do progresso, que é a palavra da vossa geração. Ai do espírito preguiçoso, daquele que fecha seu entendimento! Infeliz! porque nós que somos os guias da Humanidade em marcha, o atingiremos com o chicote, e forçaremos sua vontade rebelde no duplo esforço do freio e da espora; toda resistência orgulhosa deverá ceder, cedo ou tarde; mas bem-aventurados os que são brandos, porque prestarão dócil ouvido aos ensinamentos. (LÁZARO, Paris, 1863).