O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO X 1046

não pode ver o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai, e não olvideis jamais de lhe dizer, pelos vossos pensamentos e, sobretudo, pelos vossos atos: "Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos àqueles que nos ofenderam". Compreendei bem o valor dessas sublimes palavras; não só sua letra é admirável, mas também o compromisso que ela encerra.

Que pedis ao Senhor em lhe solicitando para vós o seu perdão? Apenas o esquecimento de vossas ofensas? Esquecimento que vos deixa no nada, porque se Deus se contenta em esquecer as vossas faltas, ele não pune, mas, tampouco, não recompensa. A recompensa não pode ser a paga do bem que não se fez, e ainda menos do mal que se fez, fosse esse mal esquecido. Em lhe pedindo perdão de vossas transgressões, vós lhe pedis o favor de suas graças para nelas não mais cairdes; a força necessária para entrar num novo caminho, caminho de submissão e de amor, no qual podereis somar a reparação ao arrependimento.

Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis em estender o véu do esquecimento sobre as suas faltas; esse véu, freqüentemente, é bem transparente aos vossos olhos; levai-lhes o amor ao mesmo tempo que o perdão; fazei por eles o que pediríeis ao vosso Pai celeste fazer por vós. Substituí a cólera que conspurca, pelo amor que purifica. Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou; pregai como ele próprio o fez, enquanto viveu sobre a Terra, visível aos olhos do corpo, e como a prega ainda, sem cessar, desde que não é mais visível senão aos olhos do espírito. Segui esse divino modelo; marchai sobre seus passos: eles vos conduzirão ao lugar de refúgio onde encontrareis o repouso depois da luta. Como ele, carregai todos a vossa cruz e escalai penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no cume está a glorificação. (JOÃO, bispo de Bordéus, 1862).

18. Caros amigos, sede severos para convosco, indulgentes para com as fraquezas dos outros; é ainda uma prática da santa caridade que bem poucas pessoas observam. Todos tendes más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar; todos tendes um fardo mais ou menos pesado a depor para escalar o cume da montanha do progresso. Por que, pois, serdes tão clarividentes para com o próximo e cegos em relação a vós mesmos? Quando, pois, cessareis