O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO X 1047

de perceber no olho de vosso irmão o argueiro que o fere, sem olhar no vosso a trave que vos cega e vos faz marchar de queda em queda? Crede em vossos irmãos, os Espíritos: Todo homem bastante orgulhoso para se crer superior, em virtude e em mérito, aos seus irmãos encarnados, é insensato e culpável, e Deus o castigará no dia da sua justiça. O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade que consistem em não ver, senão superficialmente, os defeitos de outrem por se interessar em fazer valer o que há neles de bom e virtuoso; porque se o coração humano é um abismo de corrupção, existe sempre em algumas de suas dobras mais ocultas o germe de alguns bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual.

Espiritismo, doutrina consoladora e bendita, felizes aqueles que te conhecem e que aproveitam os salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor! Para eles, o caminho é iluminado, e em todo o seu percurso podem ler essas palavras que lhes indicam o meio de atingir o fim: caridade prática, caridade de coração, caridade para com o próximo, como para consigo mesmo; numa palavra, caridade para com todos e amor de Deus acima de todas as coisas, porque o amor de Deus resume todos os deveres, e é impossível amar realmente a Deus sem praticar a caridade, da qual fez ele uma lei para todas as criaturas. (DUFÊTRE, bispo de Nevers. Bordéus).

19. Ninguém sendo perfeito, segue-se que ninguém tem o direito de repreender o próximo?

Seguramente não, uma vez que cada um de vós deve trabalhar para o progresso de todos, e sobretudo daqueles cuja tutela vos está confiada; mas é uma razão de o fazer com moderação, com um fim útil, e não como se faz geralmente, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a censura é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda cumprir com todas as reservas possíveis; e ainda a censura que se lança sobre os outros, ao mesmo tempo, deve-se dirigi-la a si mesmo e se perguntar se não a terá merecido.

(SÃO LUÍS, Paris, 1860).

20. Será repreensível observar as imperfeições dos outros, quando disso não pode resultar nenhum proveito para eles, quando não sejam divulgadas?