O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XI 1051

discípulos, com os Herodianos, dizer-lhe: Senhor, sabemos que sois verdadeiro, e que ensinais o caminho de Deus pela verdade, sem considerar a quem quer que seja, porque não considerais a pessoa nos homens; dizei-nos, pois, vosso conselho sobre isto: é-nos permitido pagar o tributo a César, ou de não pagá-lo?

Mas Jesus, conhecendo a sua malícia, lhes disse: Hipócritas, por que me tentais? Mostrai-me a peça de dinheiro que se dá para o tributo. E tendo eles lhe apresentado uma moeda, Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e esta inscrição? De César, disseram-lhe. Então Jesus lhes respondeu: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Tendo ouvido falar dessa maneira, admiraram sua resposta e, deixando-o, se retiraram. (São Mateus, cap. XXII, v. 15 a 22; São Marcos, cap. XII, v. 13 a 17).

6. A questão proposta a Jesus era motivada pela circunstância de que os Judeus, tendo horror ao tributo que lhes era imposto pelos Romanos, dela fizeram uma questão religiosa; um partido numeroso se formara para repelir o imposto; o pagamento do tributo era, pois, para eles uma questão irritante e atual, sem a qual a pergunta feita a Jesus: "É-nos permitido pagar, ou de não pagar, o tributo a César?" não teria nenhum sentido. Essa questão era uma armadilha; porque, de acordo com a sua resposta, esperavam excitar contra ele, seja a autoridade romana, ou os Judeus dissidentes. Mas "Jesus conhecendo a sua malícia", evita a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, dizendo-lhes para restituírem a cada um o que lhe era devido. (Ver a introdução, artigo: Publicanos).

7. Esta máxima: "Dai a César o que é de César" não deve ser entendida de uma forma restritiva e absoluta. Como todos os ensinamentos de Jesus, é um princípio geral resumido sob uma forma prática e usual, e deduzida de uma circunstância particular. Esse princípio é uma conseqüência daquele que manda agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco; ele condena todo prejuízo material e moral acarretado a outrem, toda violação dos seus interesses; prescreve o respeito dos direitos de cada um, como cada um deseja que se respeite os seus; estende-se ao cumprimento dos deveres con-