O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XI 1059

quais podeis acompanhá-la. Não, não é só isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência concedida sempre, e em todas as coisas, ao vosso próximo. Podeis ainda exercitar essa sublime virtude sobre muitos seres que não precisam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão ao Senhor.

Os tempos estão próximos, digo-o ainda, em que a fraternidade reinará nesse globo; a lei do Cristo é a que regerá os homens e só ela será o freio e a esperança, e conduzirá as almas às moradas bem-aventuradas. Amai-vos, pois, como os filhos de um mesmo pai; não façais diferença entre os outros infelizes, porque é Deus quem quer que todos sejam iguais; portanto, não desprezeis a ninguém; Deus permite que grandes criminosos estejam entre vós, a fim de que vos sirvam de ensinamento. Logo, quando os homens forem conduzidos às verdadeiras leis de Deus, não haverá mais necessidade desses ensinamentos, e todos os Espíritos impuros e revoltados serão dispersados nos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências.

Deveis àqueles de quem falo o socorro de vossas preces: é a verdadeira caridade. Não é preciso dizer de um criminoso: "É um miserável; é preciso expurgá-lo da Terra; a morte que se lhe inflige é muito suave para um ser dessa espécie." Não, não é assim que deveis falar. Olhai vosso modelo, Jesus; que diria ele se visse esse infeliz perto de si? Lamentá-lo-ia, o consideraria como um doente bem miserável e lhe estenderia a mão. Não podeis fazer isso em realidade, mas, pelo menos, podeis orar por ele, assistir seu Espírito durante alguns instantes que deve ainda passar sobre a vossa Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração, se orardes com fé. Ele é vosso próximo como o melhor dentre os homens; sua alma transviada e revoltada foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar; ajudai-o, pois, a sair do lamaçal, e orai por ele. (ELISABETH DE FRANÇA, Havre, 1862).

15. Um homem está em perigo de morte; para salvá-lo é preciso expor a vida; mas sabe-se que esse homem é infeliz, e que, se ele escapar, poderá cometer novos crimes. Deve-se, malgrado isso, se expor para salvá-lo?

Esta é uma questão muito grave e que pode se apresentar naturalmente ao espírito. Responderei segundo meu