O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XII 1069

qua e vaga lembrança de um passado que se foi; os homens não conhecerão entre eles outros antagonismos senão a nobre rivalidade do bem. (ADOLFHO, bispo de Argel, Marmande, 1861).

12. O duelo pode, sem dúvida, em certos casos, ser uma prova de coragem física, de desprezo pela vida, mas, incontestavelmente, é a prova de uma covardia moral, como no suicídio. O suicida não tem a coragem de afrontar as vicissitudes da vida; o duelista não tem a de afrontar as ofensas. O Cristo não vos disse que há mais de honra e de coragem em apresentar a face esquerda àquele que feriu a direita, do que se vingar de uma injúria? O Cristo não disse a Pedro, no Jardim das Oliveiras: "Tornai a pôr vossa espada na bainha, porque aquele que matar pela espada perecerá pela espada?" Com estas palavras, Jesus não condena para sempre o duelo? Com efeito, meu filhos, o que é, pois, essa coragem nascida de um temperamento violento, sangüíneo e colérico bramindo à primeira ofensa? Onde, pois, está a grandeza de alma daquele que, à menor injúria, quer lavá-la em sangue? Mas, que ele trema! porque, sempre, no fundo da sua consciência, uma voz lhe gritará: Caim! Caim! que fizeste de teu irmão? Foi-me preciso sangue para salvar minha honra, dirás a essa voz; ela, porém, responderá: Quiseste salvá-la diante dos homens por alguns instantes que te restam para viver na Terra, e não pensaste em salvá-la diante de Deus! Pobre louco! quanto sangue pediria o Cristo, pois, por todos os ultrajes que recebeu? Não somente o feristes com o espinho e a lança, não somente o pregastes num madeiro infamante, mas ainda, no meio da sua agonia, pôde ele ouvir as zombarias que lhe eram prodigalizadas. Que reparação, depois de tantos ultrajes, vos pediu? O último grito do cordeiro foi uma prece para seus carrascos. Oh! como ele, perdoai e orai por aqueles que vos ofendem.

Amigos, lembrai-vos deste preceito: "Amai-vos uns aos outros", e então ao golpe dado pelo ódio respondereis com um sorriso, e ao ultraje, pelo perdão. O mundo, sem dúvida, se levantará furioso, e vos tratará de covarde; erguei a cabeça alto, e mostrai então que a vossa fronte não temeria, também ela, de se carregar de espinhos, a exemplo do Cristo, mas que vossa mão não quer ser cúmplice de um homicídio que autoriza, supostamente, uma falsa aparência de honra,