O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XII 1071

14. Que opinião terão de mim, dizei-vos freqüentemente, se eu recuso a reparação que me é pedida, ou se não a peço àquele que me ofendeu? Os loucos, como vós, os homens atrasados, vos censurarão; mas aqueles que estão esclarecidos pelo facho do progresso intelectual e moral, dirão que agistes de acordo com a verdadeira sabedoria. Refleti um pouco; por uma palavra freqüentemente dita ao ar ou muito inofensiva da parte de um dos vossos irmãos, vosso orgulho se acha ferido, respondeis-lhe de maneira áspera, e daí uma provocação. Antes de chegar ao momento decisivo, perguntai-vos se agis como cristão? que contas deveis à sociedade se a privais de um dos seus membros? Pensais no remorso de ter arrancado a uma mulher seu marido, a uma mãe seu filho, aos filhos seu pai e seu sustentáculo? Certamente, aquele que ofendeu deve reparação; mas não é mais honroso para ele dá-la espontaneamente em reconhecendo seus erros, do que expor a vida daquele que tem direito de se lamentar? Quanto ao ofendido, convenho que algumas vezes pode se achar gravemente atingido, seja na sua pessoa, seja em relação àqueles que nos cercam; não é só o amor-próprio que está em jogo, o coração está ferido e sofre; mas além de ser estúpido jogar a sua vida contra um miserável capaz de uma infâmia, ocorre que, este estando morto, a afronta, qualquer que seja, não existe mais? O sangue derramado não dá mais renome a um fato que, se é falso deve cair por si mesmo, e que se é verdadeiro, deve se ocultar no silêncio? Não resta, pois, senão a satisfação da vingança saciada; ah! triste satisfação que, freqüentemente, deixa desde esta vida cruciantes remorsos. E se é o ofendido que sucumbe, onde está a reparação?

Quando a caridade for a regra de conduta dos homens, eles conformarão seus atos e suas palavras a esta máxima: "Não façais aos outros o que não quiserdes que vos façam"; então, sim, desaparecerão todas as causas de dissensões e, com elas, as do duelo e das guerras, que são os duelos de povo a povo. (FRANCISCO XAVIER, Bordéus, 1861).

15. O homem do mundo, o homem feliz, que, por uma palavra ofensiva, por uma causa fútil, joga a vida que lhe vem de Deus, joga a vida do semelhante que não pertence senão a Deus, este é mais culpável cem vezes que o miserável que, compelido pela cupidez, pela necessidade algumas vezes, se introduz numa habitação para dela roubar o que