O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XII 1072

cobiça, e mata aqueles que se opõem ao seu desígnio. Este último, quase sempre, é um homem sem educação, não tendo senão noções imperfeitas do bem e do mal, enquanto que o duelista pertence quase sempre à classe mais esclarecida; um mata brutalmente, o outro com método e polidez, o que faz com que a sociedade o desculpe. Acrescento mesmo que o duelista é infinitamente mais culpável que o infeliz que, cedendo a um sentimento de vingança, mata num momento de exasperação. O duelista não tem ponto para desculpar o arrastamento da paixão, porque entre o insulto e a reparação, há sempre o tempo de refletir; ele age, pois, friamente e de plano premeditado; tudo está calculado e estudado para matar mais seguramente o seu adversário. É verdade que expõe também a sua vida, e é isso que reabilita o duelo aos olhos do mundo, porque nele se vê um ato de coragem e o desprezo da própria vida; mas há verdadeira coragem quando se está seguro de si? O duelo, resto dos tempos de barbárie, onde o direito do mais forte fazia a lei, desaparecerá com uma apreciação mais sadia do verdadeiro ponto de honra, e, à medida que o homem tiver uma fé mais viva na vida futura. (AGOSTINHO, Bordéus, 1861).

16. Nota – Os duelos tornam-se cada vez mais raros, e se são vistos ainda de tempos em tempos em dolorosos exemplos, o número deles não é comparável ao que era antigamente. Outrora, um homem não saía de casa sem prever um encontro, tomando sempre suas precauções em conseqüência. Um sinal característico dos costumes do tempo e dos povos está no uso do porte habitual, ostensivo ou oculto, de armas ofensivas ou defensivas; a abolição desse uso testemunha o abrandamento dos costumes, e é curioso seguir-lhe a gradação desde a época em que os cavaleiros não cavalgavam jamais senão com armadura de ferro e armados de lança, até o porte de uma simples espada, tornada antes um adorno e um acessório de brasão do que uma arma agressiva. Um outro indício de costumes, é que outrora os combates singulares tinham lugar em plena rua, diante da multidão que se afastava para deixar o campo livre, e que hoje se oculta; hoje, a morte de um homem é um acontecimento que emociona; outrora, não se lhe dava atenção. O Espiritismo vencerá esses últimos vestígios da barbárie, em inculcando nos homens o espírito de caridade e de fraternidade.