O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIII 1086

14. Há várias maneiras de se fazer a caridade, que muitos dentre vós, confundem com a esmola; há, todavia, uma grande diferença. A esmola, meus amigos, é algumas vezes útil porque alivia os pobres; mas é quase sempre humilhante para aquele que a faz e para aquele que a recebe. A caridade, ao contrário, liga o benfeitor e o beneficiado, e depois se disfarça de tantas maneiras! Pode-se ser caridoso mesmo com os parentes, com os amigos, sendo indulgentes uns para com os outros, em se perdoando as fraquezas, em tendo cuidado para não ferir o amor-próprio de ninguém: para vós, espíritas, em vossa maneira de agir para com aqueles que não pensam como vós; em conduzindo os menos esclarecidos a crerem, e isso sem os chocar, sem contradizer as suas convicções, mas os conduzindo muito suavemente às nossas reuniões, onde poderão nos ouvir, e onde saberemos encontrar a brecha do coração por onde devemos penetrar. Eis um aspecto da caridade.

Escutai agora a caridade para com os pobres, esses deserdados do mundo, mas recompensados por Deus, se sabem aceitar as suas misérias sem as murmurar, o que depende de vós. Vou me fazer compreender por um exemplo.

Vejo várias vezes na semana uma reunião de senhoras, de todas as idades; para nós, como sabeis, são todas irmãs. Que fazem elas? Trabalham depressa, depressa; os dedos são ágeis; vede também como os rostos são radiosos e como os corações batem em uníssono! mas qual é o seu objetivo? é que elas vêem se aproximar o inverno que será rude para os lares pobres; as formigas não puderam amontoar durante o verão os grãos necessários à provisão, e a maior parte dos seus pertences está empenhada; as pobres mães se inquietam e choram pensando nas criancinhas que, neste inverno, terão frio e fome! Mas, paciência, pobres mulheres! Deus inspirou a mulheres mais afortunadas do que vós; elas estão reunidas e vos confeccionarão roupinhas; depois, num desses dias, quando a neve tiver coberto a terra, e murmurardes dizendo: "Deus não é justo", porque é a vossa palavra habitual, a vós que sofreis; então, vereis aparecer um dos filhos dessas boas trabalhadoras que se constituíram em operárias dos pobres; sim, é para vós que elas trabalham assim, e vossa murmuração se mudará em bênçãos, porque no coração dos infelizes, o amor segue de bem perto o ódio.