O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIII 1090

patia. Portanto, não sufoqueis jamais em vossos corações essa emoção celeste, não façais como esses egoístas endurecidos que se distanciam dos aflitos, porque a visão da sua miséria perturbaria por instante sua alegre existência; temei permanecer indiferentes quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade comprada ao preço de uma indiferença culpável, é a tranqüilidade do Mar Morto, que esconde no fundo de suas águas o lodo fétido e a corrupção.

Quanto a piedade está longe, entretanto, de causar a perturbação e o aborrecimento com os quais se apavora o egoísta! Sem dúvida, a alma experimenta, ao contato da infelicidade alheia, e voltando-se para si mesma, um abalo natural e profundo que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente; mas a compensação será grande quando vierdes a restituir a coragem e a esperança a um irmão infeliz que se emociona com a pressão da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo úmido de emoção e de reconhecimento, se volta docemente para vós antes de se fixar no céu agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um apoio. A piedade é a melancólica mas celeste precursora da caridade, essa primeira virtude, da qual é irmã e cujos benefícios prepara e enobrece. (MICHEL, Bordéus, 1862).

OS ÓRFÃOS

18. Meus irmãos, amai os órfãos; se soubésseis quanto é triste ser só e abandonado, sobretudo na infância! Deus permite que haja órfãos para nos exortar a lhes servirmos de pais. Que divina caridade ajudar uma pobre criança abandonada, impedi-la de sofrer fome e frio, dirigir sua alma a fim de que não se perca no vício! Quem estende a mão à criança abandonada é agradável a Deus, porque compreende e pratica sua lei. Pensai também que, freqüentemente, a criança que socorreis vos foi cara numa outra encarnação; e se pudésseis vos lembrar, não seria mais caridade, mas um dever. Assim, pois, meus amigos, todo ser sofredor é vosso irmão e tem direito à vossa caridade, não essa caridade que fere o coração, não essa esmola que queima a mão que a recebe, porque vossos óbolos, freqüentemente, são bem amargos! Quantas vezes eles seriam recusados se, em casa, a doença e a privação não os esperassem! Dai delicadamente, acrescentai ao benefício o mais precioso de todos os benefícios: uma palavra, uma carícia, um sor-