O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIV 1094

na velhice, cercá-los de solicitude como fizeram por nós em nossa infância.

É sobretudo para com os pais sem recursos que se mostra a verdadeira piedade filial. Satisfazem esse mandamento aqueles que crêem fazer um grande esforço dando-lhes apenas o necessário para não morrerem de fome, quando eles mesmos não se privam de nada? em os relegando aos mais ínfimos aposentos da casa, para não os deixar na rua, enquanto se reservam o que há de melhor, de mais confortável? Felizes ainda quando não o fazem de má vontade e não mercadejam o tempo que lhes resta de vida, descarregando sobre eles os trabalhos da casa! Cabe, pois, aos pais velhos e fracos serem os servidores de filhos jovens e fortes? Sua mãe regateou seu leite quando estavam no berço? contou suas vigílias quando estavam doentes, seus passos para lhes proporcionar o de que tinham necessidade? Não, não é somente o estritamente necessário que os filhos devem a seus pais pobres, mas também, tanto quanto possam, as pequenas doçuras do supérfluo, as amabilidades, os cuidados delicados, que não são do interesse do que eles receberam, o pagamento de uma dívida sagrada. Só aí está a piedade filial aceita por Deus.

Ai! pois, daquele que esquece o que deve aos que o sustentaram em sua fraqueza, que com a vida material lhe deram a vida moral, que, freqüentemente, se impuseram duras privações para assegurar seu bem-estar! Ai! do ingrato, porque será punido pela ingratidão e pelo abandono; será atingido em suas mais caras afeições, algumas vezes desde a vida presente, mas certamente numa outra existência, em que suportará o que terá feito aos outros suportarem.

Certos pais, é verdade, menosprezam seus deveres, e não são para os filhos o que deveriam sê-lo; mas cabe a Deus puni-los e não aos seus filhos; não cabe a estes censurá-los, porque talvez eles próprios merecessem que fosse assim. Se a caridade estabelece como lei retribuir o mal com o bem, ser indulgente para com as imperfeições alheias, não maldizer o próximo, esquecer e perdoar os erros, amar mesmo aos inimigos, quanto essa obrigação é maior ainda com relação aos pais? Os filhos devem, pois, tomar por regra de conduta para com os pais, todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo, e dizer-se que todo procedimento repreensível em face de estranhos o é ainda mais em