O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIV 1096

tava sentado ao seu redor, e lhe disse: Vossa mãe e vossos irmãos estão lá fora vos chamando. Mas ele lhes respondeu: Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? e olhando aqueles que estavam sentados ao seu redor: Eis, disse, minha mãe e meus irmãos; porque todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe. (São Marcos, cap. III, v. 20, 21 e 31 a 35; São Mateus, cap. XII, v. de 46 a 50).

6. Certas palavras parecem estranhas na boca de Jesus e contrastam com a sua bondade e sua inalterável benevolência para com todos. Os incrédulos não deixaram de fazer disso uma arma, dizendo que ele próprio se contradizia. Um fato irrecusável é que a sua doutrina tem por base essencial, por pedra angular, a lei de amor e de caridade; não podia, pois, destruir de um lado o que estabelecia de outro; de onde é preciso tirar esta conseqüência rigorosa de que, se certas máximas estão em contradição com o princípio, é que as palavras que se lhe atribuem foram mal expressadas, mal compreendidas ou não são dele.

7. Admira-se, e com razão, ver, nessa circunstância, Jesus mostrar tanta indiferença para com os seus parentes e, de alguma sorte, renegar sua mãe.

No que tange a seus irmãos, sabe-se que não tiveram jamais simpatia por ele; Espíritos pouco avançados, não tinham compreendido a sua missão; sua conduta, a seus olhos, era bizarra, e seus ensinamentos não lhes haviam tocado, uma vez que não houve nenhum discípulo entre eles; parecia mesmo que partilhavam, até um certo ponto, das prevenções dos seus inimigos; é certo, de resto, que o acolhiam mais como estranho do que como irmão quando ele se apresentava na família, e São João disse, positivamente, (cap. VII, v. 5) "que não acreditavam nele."

Quanto à sua mãe, ninguém poderia contestar sua ternura por seus filhos; mas é preciso convir também que ela não parecia ter feito uma idéia muito justa da sua missão, porque não se a viu jamais seguir seus ensinamentos, nem lhe prestar testemunho como o fez João Batista; a solicitude maternal era, nela, o sentimento dominante. A respeito de Jesus, supor-lhe ter renegado sua mãe seria desconhecer-lhe o caráter: um tal pensamento não poderia animar aquele que disse: Honrai a vosso pai e a vossa mãe. É preciso,