O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVI 1125

fazer em administrando-a com sabedoria. Saber passar sem ela quando não a tem, saber empregá-la utilmente quando a possui, saber sacrificá-la quando isso é necessário, é agir segundo os desígnios do Senhor. Aquele a quem chegue o que se chama no mundo uma boa fortuna, diga a si mesmo: Meu Deus, vós me enviastes um novo encargo, dai-me a força de cumpri-lo segundo a vossa santa vontade.

Eis, meus amigos, o que eu queria vos ensinar quanto ao desapego aos bens terrestres; resumirei, dizendo: Sabei vos contentar com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade; se sois ricos, não olvideis que esses bens vos estão confiados, e que devereis justificar seu emprego, como sendo tutores. Não sejais depositários infiéis, fazendo-os servir à satisfação do vosso orgulho e da vossa sensualidade; não vos creiais no direito de dispor, unicamente para vós, daquilo que não é senão um empréstimo, e não uma doação. Se não sabeis restituir, não tendes mais o direito de pedir, e lembrai-vos de que aquele que dá aos pobres se quita da dívida que contrai com Deus. (LACORDAIRE, Constantina, 1863).

15. O princípio segundo o qual o homem não é senão o depositário da fortuna que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmiti-la aos seus descendentes?

O homem pode perfeitamente transmitir, depois de sua morte, do que gozou durante a vida, porque o efeito desse direito está sempre subordinado à vontade de Deus que pode, quando quiser, impedir seus descendentes de gozá-lo; é assim que se vê desmoronarem fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. A vontade do homem em manter sua fortuna na sua descendência é, pois, impotente, o que não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo que recebeu, uma vez que Deus o retirará quando julgar conveniente. (SÃO LUÍS, Paris, 1860).