O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVII 1129

Usa, mas não abusa, dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito do qual deverá prestar contas, e que o emprego, o mais prejudicial para si mesmo, é de fazê-los servir à satisfação de suas paixões.

Se a ordem social colocou homens sob a sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar a sua posição subalterna mais penosa.

O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9).

O homem de bem, enfim, respeita em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, como gostaria que os seus fossem respeitados.

Esta não é a enumeração de todas as qualidades que distinguem o homem de bem, mas todo aquele que se esforce em possuí-las, está no caminho que conduz a todas as outras.

OS BONS ESPÍRITAS

4. O Espiritismo bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, conduz forçosamente aos resultados acima, que caracterizam o verdadeiro espírita como o verdadeiro cristão, que são a mesma coisa. O Espiritismo não criou nenhuma moral nova; facilita aos homens a inteligência e a prática da moral do Cristo, dando uma fé sólida e esclarecida àqueles que duvidam ou vacilam.

Mas muitos daqueles que crêem nos fatos das manifestações, não compreendem nem as suas conseqüências, nem o seu alcance moral, ou, se as compreendem, não as aplicam a si mesmos. A que se prende isso? À falta de precisão da doutrina? Não, porque ela não contém nem alegorias, nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações; sua essência mesma é a clareza, e é o que a faz poderosa, porque vai direto à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não estão de posse de nenhum segredo oculto ao vulgo.