O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVII 1136

puderam lhe comandar, ou poderão lhe comandar mais tarde, e que então será tratado, como os tiver tratado ele mesmo.

Se o superior tem deveres a cumprir, o inferior os tem, de seu lado, e não são menos sagrados. Se este último é espírita, sua consciência lhe dirá, melhor ainda, que deles não está dispensado, mesmo quando seu chefe não cumprisse os seus, porque sabe que não se deve retribuir o mal com mal, e que as faltas de uns não autorizam as faltas de outros. Se sofre em sua posição, diz a si mesmo que, sem dúvida, a mereceu, porque talvez, ele mesmo, abusou outrora de sua autoridade, e deve sentir, a seu turno, os inconvenientes daquilo que fez os outros sofrerem. Se está forçado a suportar essa posição na falta de achar uma melhor, o Espiritismo lhe ensina a nela se resignar como sendo uma prova para a sua humildade, necessária ao seu adiantamento. Sua crença o guia em sua conduta; age como quereria que seus subordinados agissem para com ele, se fosse chefe. Por isso mesmo, é mais escrupuloso no cumprimento de suas obrigações, porque compreende que toda negligência no trabalho que lhe está confiado é um prejuízo para aquele que o remunera e a quem deve seu tempo e seus cuidados; numa palavra, ele é solicitado pelo sentimento do dever que lhe dá sua fé, e a certeza de que todo desvio do caminho reto é uma dívida que será preciso pagar, cedo ou tarde. (FRANÇOIS - NICOLAS - MADELEINE, Cardeal MORLOT, Paris, 1863).

O HOMEM NO MUNDO

10. Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração daqueles que se reúnem sob os olhos do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos. Purificai, pois, os vossos corações; não deixeis neles demorar nenhum pensamento mundano ou fútil; elevai vosso espírito até aqueles a quem chamais, a fim de que, encontrando em vós as disposições necessárias, possam lançar profusamente a semente que deve germinar em vossos corações e nele dar frutos de caridade e de justiça.

Não creiais, todavia, que em vos exortando sem cessar à prece e à evocação mental, nós vos exortamos a viver uma vida mística que vos mantenha fora das leis da sociedade em que estais condenados a viver. Não, vivei com os homens de vossa época, como devem viver os homens; sacrificai às ne-