O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVII 1138

de cuidar do corpo que, segundo as alternativas da saúde e da doença, influi de maneira muito importante sobre a alma, que é preciso considerar como cativa na carne. Para que essa prisioneira viva, se divirta e conceba mesmo as ilusões da liberdade, o corpo deve estar são, disposto, vigoroso. Sigamos a comparação: Ei-los, pois, em perfeito estado, ambos; que devem fazer para manter o equilíbrio entre as suas aptidões e suas necessidades tão diferentes?

Aqui dois sistemas se defrontam: o dos ascetas, que querem abater o corpo, e o dos materialistas, que querem rebaixar a alma; duas violências, que são quase tão insensatas uma quanto a outra. Ao lado desses grandes partidos, formiga a numerosa tribo dos indiferentes que, sem convicção e sem paixão, amam tibiamente e gozam com economia. Onde, pois, está a sabedoria? Onde, pois, está a ciência de viver? Em nenhuma parte; e esse grande problema permaneceria inteiramente por resolver, se o Espiritismo não viesse em ajuda aos pesquisadores em lhes demonstrando as relações que existem entre o corpo e a alma, e em dizendo que, uma vez que são necessários um ao outro, é preciso cuidar de ambos. Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza, é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa. Sereis, pois, mais perfeitos se, martirizando o corpo, com isso não ficais menos egoístas, menos orgulhosos e pouco caridosos para com o vosso próximo? Não, a perfeição não está nisso; ela está inteiramente nas reformas que fareis vosso Espírito suportar; dobrai-o, submetei-o, humilhai-o, mortificai-o: é o meio de torná-lo dócil à vontade de Deus, e o único que conduz à perfeição. (GEORGES, ESPÍRITO PROTETOR, Paris, 1863).