O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVIII 1140

ter a roupa nupcial? E esse homem permaneceu mudo. Então o rei disse aos seus servos: atai-lhe as mãos e os pés e lançai-o nas trevas exteriores; aí haverá pranto e ranger de dentes; porque há muitos chamados e poucos escolhidos. (São Mateus, cap. XXII, v. de 1 a 14).

2. O incrédulo sorri a esta parábola que lhe parece de uma puerilidade ingênua, porque não compreende que se possa criar tanta dificuldade para assistir a uma festa, e ainda menos que os convidados estendessem a resistência até ao massacre dos enviados do senhor da casa. "A s parábolas, diz ele, sem dúvida, são figuras, mas ainda é preciso que elas não saiam dos limites do verossímil."

Pode-se dizer o mesmo de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não são despojadas de seu envoltório para procurar-lhe o sentido oculto. Jesus hauriu as suas nos usos mais vulgares da vida, e as adaptou aos costumes e ao caráter do povo ao qual falava; a maioria tem por fim fazer penetrar nas massas a idéia da vida espiritual; o seu sentido não parece freqüentemente ininteligível senão porque não se parte desse ponto de vista.

Nesta parábola, Jesus compara o reino dos céus, onde tudo é alegria e felicidade, a uma festa. Para os primeiros convidados, fez alusão aos Hebreus, que Deus chamou primeiro ao conhecimento da sua lei. Os enviados do Senhor são os profetas que vieram exortá-los a seguir o caminho da verdadeira felicidade; mas suas palavras foram pouco escutadas; suas advertências foram menosprezadas; vários foram mesmo massacrados, como os servidores da parábola. Os convidados que se excusam com os cuidados a dar aos seus campos e aos seus negócios são o símbolo das pessoas do mundo que, absorvidas pelas coisas terrestres, são indiferentes quanto às coisas celestes.

Era uma crença, entre os Judeus de então, que sua nação deveria adquirir a supremacia sobre todas as outras. Deus não havia, com efeito, prometido a Abraão que a sua posteridade cobriria toda a Terra? Mas sempre, tomando a forma pelo fundo, eles acreditavam numa dominação efetiva e material.

Antes da vinda do Cristo, à exceção dos Hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens, superiores ao vulgo, conceberam a idéia da unidade divina, essa