O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVIII 1141

idéia ficou no estado de sistema pessoal, mas em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que escondiam os seus conhecimentos sob um véu misterioso, impenetrável às massas. Os Hebreus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo; foi a eles que Deus transmitiu a sua lei, primeiro por Moisés, depois por Jesus; foi desse pequeno foco que partiu a luz que deveria se derramar sobre o mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posteridade espiritual "tão numerosa quanto as estrelas do firmamento". Mas os Judeus, repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral para se apegarem à prática mais fácil das formas exteriores. O mal chegara ao auge; a nação dominada estava fragmentada pelas facções, dividida pelas seitas; a incredulidade mesmo havia penetrado até no santuário. Foi então que apareceu Jesus, enviado para lembrá-los quanto à observância da lei, e abrir-lhes os horizontes novos da vida futura; convidados dos primeiros para o grande banquete da fé universal, repeliram a palavra do celeste Messias e o fizeram perecer; foi assim que perderam o fruto que teriam recolhido de sua iniciativa.

Seria injusto, todavia, acusar o povo inteiro desse estado de coisas; essa responsabilidade cabe principalmente aos Fariseus e aos Saduceus que perderam a nação, pelo orgulho e pelo fanatismo de uns e pela incredulidade de outros. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que recusam comparecer ao repasto de núpcias. Depois, acrescenta: "O Senhor, vendo isso, fez convidar todos os que se encontravam nas encruzilhadas, bons e maus"; ele queria dizer com isso que a palavra foi pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes a aceitando, seriam admitidos na festa em lugar dos primeiros convidados.

Mas não basta ser convidado; não basta levar o nome de cristão, nem se assentar à mesa para tomar parte no celeste banquete; é preciso, antes de tudo, e como condição expressa, estar revestido com a roupa nupcial, quer dizer, ter a pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito; ora, essa lei está inteiramente nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Mas entre todos aqueles que ouvem a palavra divina, quão poucos há que a guardam e a praticam! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Por isso, Jesus disse: Haverá muitos chamados e poucos escolhidos.