O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVIII 1143

criaturas; suposição inadmissível desde que se reconhece que Deus é todo justiça e todo bondade.

Mas de que ações más esta Humanidade poderia se tornar culpada para merecer uma sorte tão triste, em seu presente e em seu futuro, se ela estava inteiramente relegada na Terra, e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves semeados em seu caminho? Por que essa porta tão estreita, que é dada ao menor número transpor, se a sorte da alma está fixada para sempre depois da morte? É assim que, com a unicidade da existência, se está incessantemente em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se amplia; a luz se faz sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro são solidários com o passado; então, somente, se pode compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.

AQUELES QUE DIZEM: SENHOR! SENHOR! NÃO ENTRARÃO TODOS NO REINO DOS CÉUS

6. Aqueles que dizem: Senhor! Senhor! não entrarão todos no reino dos céus; mas somente entrará aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Vários me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! não profetizamos em vosso nome? não expulsamos os demônios em vosso nome e não fizemos vários milagres em vosso nome? E então eu lhes direi claramente: Retirai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniqüidade. (São Mateus, cap. VII, v. 21, 22, 23).

7. Todo aquele que, pois, ouve estas palavras que eu digo e as pratica será comparado a um homem sábio que construiu sua casa sobre a rocha; e logo que a chuva caiu e que os rios transbordaram, que os ventos sopraram e se abateram sobre essa casa, ela não tombou porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas palavras que eu digo e não as pratica, será semelhante a um homem insensato que construiu sua casa sobre a areia; e logo que a chuva caiu, que os rios transbordaram, que os ventos sopraram e se abateram sobre essa casa, ela ruiu e sua ruína foi grande. (São Mateus, cap. VII, v. de 24 a 27. – São Lucas, cap. VI, v. de 46 a 49).