O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XVIII 1148

e de caridade, dará àquele que já recebeu. Então, ele verá os seus esforços coroados de sucesso, e um grão produzir cem, e um outro mil. Coragem, lavradores; tomai as vossas grades e as vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai dele o joio; semeai aí a boa semente que o Senhor vos confia, e o orvalho do amor o fará produzir os frutos da caridade. (UM ESPÍRITO AMIGO, Bordéus, 1862).

RECONHECE-SE O CRISTÃO PELAS SUAS OBRAS

16.  Aqueles que me dizem: "Senhor! Senhor! não entrarão todos no reino dos céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus."

Escutai essas palavras do Senhor, todos vós que repelis a Doutrina Espírita como uma obra do demônio. Abri os vossos ouvidos, pois o momento de ouvir chegou.

Basta trajar a libré do Senhor para ser um fiel servidor? Basta dizer: "Eu sou cristão", para seguir o Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e vós os reconhecereis por suas obras. "Uma árvore boa não pode produzir maus frutos, nem uma árvore má produzir bons frutos". "Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo." Eis as palavras do Mestre; discípulos de Cristo, compreendei-as bem. Quais são os frutos que deve produzir a árvore do Cristianismo, árvore poderosa cujos ramos espessos cobrem com a sua sombra, uma parte do mundo, mas que ainda não abrigaram todos aqueles que devem se reunir ao seu redor? Os frutos da árvore de vida são os frutos de vida, de esperança e de fé. O Cristianismo, tal como o fez durante muitos séculos, prega sempre essas divinas virtudes; procura espalhar os seus frutos, mas quão poucos os colhem! A árvore é sempre boa, mas os jardineiros são maus. Eles quiseram conformá-la à sua idéia; quiseram modelá-la segundo as suas necessidades; eles a cortaram, diminuíram-na, mutilaram-na; seus ramos estéreis não produzem maus frutos, pois nada mais produzem. O viajor sedento que se detém sob sua sombra para procurar o fruto da esperança que deve lhe restituir a força e a coragem, não distingue senão ramos infecundos fazendo pressentir a tempestade. Em vão, ele procura o fruto de vida na árvore de vida: as folhas caem secas; a mão do homem de tanto manejá-las, queimou-as.