O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XIX 1154

no coração, mas crendo firmemente que tudo o que houver dito acontecerá, ele o verá com efeito acontecer. (São Marcos, cap. XI, v. 12, 13, 14, e de 20 a 23).

9. A figueira seca é o símbolo das pessoas que não têm senão as aparências do bem, mas em realidade não produzem nada de bom; oradores que têm mais brilho do que solidez; suas palavras têm o verniz da superfície; agradam aos ouvidos, mas quando perscrutadas, nelas não se encontra nada de substancial para o coração; depois de tê-las ouvido, pergunta-se qual proveito disso se tirou.

É ainda o emblema de todas as pessoas que têm os meios de serem úteis e não o são; de todas as utopias, de todos os sistemas vazios, de todas as doutrinas sem base sólida. O que falta, na maioria das vezes, é a verdadeira fé, a fé fecunda, a fé que comove as fibras do coração, numa palavra, a fé que transporta montanhas. São as árvores que têm folhas, mas não frutos; por isso, Jesus as condena à esterilidade, porque um dia virá em que estarão secas até a raiz; quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que não tiverem produzido nenhum bem à Humanidade, cairão no nada; que todos os homens voluntariamente inúteis, por falta de terem colocado em prática os recursos que tinham, serão tratados como a figueira seca.

10. Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos; suprem os órgãos materiais que faltam a estes para nos transmitirem suas instruções; por isso, são dotados de faculdades para esse efeito. Nestes tempos de renovação social, têm uma missão particular; são as árvores que devem dar o alimento espiritual aos seus irmãos; são multiplicados para que o alimento seja abundante; encontram-se por toda parte, em todos os países, em todas as classes da sociedade, entre os ricos e entre os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que não haja deserdados, e para provar aos homens que todos são chamados. Mas se desviam do seu fim providencial a faculdade preciosa que lhes foi concedida, se a fazem servir às coisas fúteis ou nocivas, se a colocam a serviço dos interesses mundanos, se em lugar de frutos salutares dão frutos malsãos, se recusam em torná-la proveitosa para os outros, se dela não tiram proveito para si mesmos em se melhorando, eles são como a figueira estéril; Deus lhes retirará um dom que se tornou inútil em suas mãos: a semente que não sabem fazer