O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XX 1159

aprender, e quando estiveres mais disposto, virás a mim e eu te abrirei meu vasto campo, e tu poderás nele trabalhar a toda hora do dia.

Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos vós obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho no alvorecer e não o terminarei senão no declínio do dia. Todos vós viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação, da qual carregais os grilhões; mas desde quantos séculos e séculos o Senhor vos chamou para a sua vinha sem que tivésseis querido nela entrar! Eis o momento de receberdes o salário; empregai bem essa hora que vos resta e não olvideis jamais que a vossa existência, tão longa que vos pareça, não é senão um momento bem fugidio na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade. (CONSTANTINO, ESPÍRITO PROTETOR, Bordéus, 1863).

3. Jesus gostava da simplicidade dos símbolos e, em sua vigorosa linguagem, os trabalhadores chegados à primeira hora são os profetas, Moisés, e todos os iniciadores que marcaram as etapas do progresso, seguidos através dos séculos pelos apóstolos, os mártires, os Pais da Igreja, os sábios, os filósofos e, enfim, os espíritas. Estes os últimos a virem, foram anunciados e preditos desde a aurora do Messias, e receberão a mesma recompensa; que digo eu? mais alta recompensa. Últimos a chegar, os espíritas aproveitam dos trabalhos intelectuais de seus predecessores, porque o homem deve herdar do homem, e seus trabalhos, e seus resultados são coletivos: Deus abençoa a solidariedade. Muitos dentre eles, aliás, revivem hoje, ou reviverão amanhã, para arrematar a obra que começaram outrora; mais de um patriarca, mais de um profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um propagador da fé cristã se encontram entre eles, porém mais esclarecidos, mais avançados, trabalhando não mais na base, mas no coroamento do edifício; seu salário será, pois, proporcional ao mérito do trabalho.

A reencarnação, esse belo dogma, eterniza e precisa a filiação espiritual. O Espírito, chamado a prestar contas do seu mandato terrestre, compreende a continuidade da tarefa interrompida, mas sempre retomada; vê, sente que apanhou no vôo o pensamento dos seus antepassados; reentra na liça amadurecido pela experiência, para avançar ainda;