O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. I - DOS ESPÍRITOS 116

seus filhos. Pretenderias pois, que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior que vós mesmos?

117 - Depende dos Espíritos apressar seu progresso para a perfeição?

- Certamente, eles o alcançam mais ou menos rapidamente segundo seu desejo e sua submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais rapidamente que uma criança insubmissa?

118 - Podem os Espíritos degenerar?

- Não; à medida que avançam, compreendem o que os distancia da perfeição. Quando o Espírito finda uma prova, fica com o conhecimento que não esquece mais. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda.

119 - Deus não poderia isentar os Espíritos das provas que devem suportar para alcançarem a primeira ordem?

- Se eles tivessem sido criados perfeitos não teriam mé-rito para desfrutar os benefícios dessa perfeição. Onde esta-ria o merecimento sem a luta? Aliás, a desigualdade que exis-te entre eles é necessária às suas personalidades e, a mis-são que eles cumprem nos diferentes graus da escala está nos desígnios da Providência, para a harmonia do Universo.

Visto que, na vida social, todos os homens podem alcan-çar as primeiras funções, igualmente poder-se-ia perguntar por que o soberano de um país não promove cada um dos seus soldados a general; por que todos os empregados subalternos não são empregados superiores, todos os estudantes não são mestres. Ora, entre a vida social e a espiritual há esta diferença: a primeira é limitada e não permite sempre alcançar todos os graus, enquanto a vida espiritual é indefinida e deixa a cada um a possibi-lidade de se elevar ao grau supremo.

120 - Todos os Espíritos passam pela fieira do mal para alcançar o bem?

- Não pela fieira do mal, mas, pela da ignorância.

121 - Por que certos Espíritos seguiram o caminho do bem e outros o do mal?

- Não têm eles o livre arbítrio? Deus não os criou maus, criou-os simples e ignorantes, isto é, com aptidão tanto para o bem quanto para o mal. Aqueles que são maus, assim se tornaram por sua vontade.