O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXI 1167

piritual, e que, como suas primogênitas da Ciência, não são menos leis naturais; em dando a explicação de uma certa ordem de fenômenos incompreendidos até hoje, destrói o que restava ainda no domínio do maravilhoso. Aqueles, pois, que estivessem tentados em explorar esses fenômenos em seu proveito, em se fazendo passar por messias de Deus, não poderiam enganar por muito tempo a credulidade, e seriam logo desmascarados. Aliás, como foi dito, só esses fenômenos não provam nada: a missão se prova pelos efeitos morais que não é dado a qualquer um produzir. Esse é um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; em perscrutando a causa de certos fenômenos, ela ergue o véu sobre muitos mistérios. Os que preferem a obscuridade à luz são os únicos interessados em combatê-la; mas a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.

O Espiritismo vem revelar uma outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios que, da Terra, passaram para a erraticidade, e se adornam com nomes veneráveis para procurar, graças à máscara com a qual se cobrem, recomendar idéias, freqüentemente, as mais bizarras e as mais absurdas. Antes que as relações mediúnicas fossem conhecidas, eles exerciam sua ação de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. O número daqueles que, em diversas épocas, mas nos últimos tempos sobretudo, se deram como alguns dos antigos profetas, pelo Cristo, por Maria, mãe do Cristo, e mesmo por Deus, é considerável. São João adverte contra eles, quando diz: "Meus bem-amados, não acrediteis em todos os Espíritos, mas experimentai se os Espíritos são de Deus; porquanto vários falsos profetas se ergueram no mundo." O Espiritismo dá os meios de os provar indicando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais e jamais materiais (1). É no discernimento entre os bons e os maus Espíritos que podem sobretudo ser aplicadas estas palavras de Jesus: "Reconhece-se a qualidade da árvore pelo fruto; uma boa árvore não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não pode produzir bons


(1) Ver, sobre a distinção dos Espíritos. O Livro dos Médiuns, cap. XXIV e seguintes.