O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. I - DOS ESPÍRITOS 117

122 - Como podem os Espíritos, em sua origem, quando não têm consciência de si mesmos, desfrutar da liberdade de escolha entre o bem e o mal? Existe neles um princípio, uma tendência qualquer que os incline mais para um caminho que para outro?

- O livre arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire a consciência de si mesmo. Ele não teria mais liberdade se a escolha fosse determinada por uma causa independente da sua vontade. A causa não está nele, está fora dele, nas influências a que cede em virtude de sua vontade livre. É a grande figura da queda do homem e do pecado original; alguns cederam à tentação, outros a resistiram.

- De onde provêm as influências que se exercem sobre ele?

- Dos Espíritos imperfeitos, que procuram se aproximar para dominá-lo, e que se alegram em fazê-lo sucumbir. Foi isso que se intentou simbolizar na figura de Satanás.

- Esta influência não se exerce sobre o Espírito senão em sua origem?

- Ela o segue na sua vida de Espírito, até que tenha tanto império sobre si mesmo, que os maus desistem de obsidiá-lo.

123 - Por que Deus tem permitido que os Espíritos possam seguir o caminho do mal?

- Como ousais pedir a Deus contas de seus atos? Pensais poder penetrar-lhe os desígnios? Todavia, podeis dizer assim: A sabedoria de Deus está na liberdade que ele deixa a cada um de escolher, porque cada um tem o mérito de suas obras.

124 - Uma vez que há Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto e outros o do mal absoluto, deve haver, sem dúvida, degraus entre esses dois extremos?

- Sim, certamente, e é a grande maioria dos Espíritos.

125 - Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão alcançar o mesmo grau de superioridade que os outros?

- Sim; porém, as eternidades serão para eles mais longas.