O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXII 1176

do inteiro, e mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam absolutamente as mesmas, e que não haja um em que elas não tenham sofrido mudanças com o tempo; disso resulta que, aos olhos da lei civil, o que é legítimo num país em uma época, é adultério num outro país e noutro tempo; isso porque a lei civil tem por objetivo regular os interesses das famílias, e esses interesses variam segundo os costumes e as necessidades locais; é assim que, por exemplo, em certos países, só o casamento religioso é legítimo; em outros é preciso também o casamento civil; noutros, enfim, só o casamento civil basta.

3. Mas na união dos sexos, ao lado da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há uma outra lei divina, imutável, como todas as leis de Deus, exclusivamente moral e que é a lei de amor. Deus quis que os seres estivessem unidos não somente pelos laços da carne, mas pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se transportasse para seus filhos, e que eles fossem dois, em lugar de um, a amá-los, a cuidá-los e fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, foi levada em conta essa lei de amor? De nenhum modo; o que se consulta não é a afeição de dois seres que um mútuo sentimento atrai um para o outro, uma vez que, o mais freqüentemente, se rompe essa afeição; o que se procura não é a satisfação do coração, mas a do orgulho, da vaidade e da cupidez, numa palavra, de todos os interesses materiais; quando tudo está bem, segundo esses interesses, diz-se que o casamento é conveniente, e quando as bolsas estão bem combinadas, diz-se que os esposos o estão igualmente, e devem ser bem felizes.

Mas nem a lei civil, nem os compromissos que ela faz contrair, podem suprir a lei do amor se esta lei não preside a união; disso resulta que, freqüentemente, o que se une à força, se separa por si mesmo; que o juramento que se pronuncia ao pé do altar torna-se um perjúrio se dito como uma fórmula banal; daí as uniões infelizes, que acabam por tornar-se criminosas; dupla infelicidade que se evitaria se, nas condições do casamento, não se fizesse abstração da única lei que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Quando Deus disse: "Vós não sereis senão uma mesma carne"; e quando Jesus disse: "Vós não separareis o que Deus uniu", isso se deve entender da união segundo a lei imutável de Deus, e não segundo a lei variável dos homens.