O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXII 1177

4. A lei civil é, pois, supérflua, e é preciso retornar ao casamento segundo a Natureza? Não, certamente; a lei civil tem por objetivo regular as relações sociais e os interesses das famílias, segundo as exigências da civilização; eis porque ela é útil, necessária, mas variável; deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como o selvagem; mas nada, absolutamente nada, se opõe a que seja o corolário da lei de Deus; os obstáculos para o cumprimento da lei divina resultam dos preconceitos e não da lei civil. Esses preconceitos, se bem que ainda vivazes, já perderam seu império entre os povos esclarecidos; eles desaparecerão com o progresso moral, que abrirá enfim os olhos sobre os males sem número, as faltas, os próprios crimes que resultem de uniões contraídas tendo em vista unicamente os interesses materiais; e se perguntará um dia se é mais humano, mais caridoso, mais moral unir indissoluvelmente um ao outro seres que não podem viver juntos, do que lhes dar a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número das uniões irregulares.

O DIVÓRCIO

5. O divórcio é uma lei humana que tem por fim separar legalmente o que está separado de fato; não é contrária à lei de Deus, uma vez que não reforma senão o que os homens fizeram, e não é aplicável senão nos casos em que não se levou em conta a lei divina; se fosse contrária a esta lei, a própria Igreja seria forçada a considerar prevaricadores aqueles dos seus chefes que, pela sua própria autoridade, e em nome da religião, em mais de uma circunstância, impuseram o divórcio; dupla prevaricação então, uma vez que seria só em vista de interesses temporais, e não para satisfazer a lei do amor.

Mas Jesus, ele mesmo, não consagrou a indissolubilidade absoluta do matrimônio. Não disse: "É por causa da dureza de vosso coração que Moisés vos permitiu devolver vossas mulheres? O que significa que, desde o tempo de Moisés, a afeição mútua não sendo o objetivo único do casamento, a separação podia tornar-se necessária. Mas acrescenta: "isso não foi desde o princípio"; quer dizer que na origem da Humanidade, quando os homens não estavam ainda pervertidos pelo egoísmo e pelo orgulho, e viviam segundo a lei de Deus, as uniões fundadas sobre a simpatia, e