O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXIII 1182

mãe, seus irmãos, sua mulher, seus filhos, para marchar em defesa do seu país? Não se lhe reconhece, ao contrário, um mérito por se separar do ambiente doméstico e do aconchego da amizade, para cumprir um dever? Há, pois, deveres que se sobrepõem a outros deveres. A lei não torna uma obrigação à filha deixar seus pais para seguir seu esposo? O mundo está repleto de casos em que as separações, as mais penosas, são necessárias; mas as afeições não são quebradas por isso; a distância não diminui nem o respeito, nem a solicitude que se deve aos pais, nem a ternura pelos filhos. Vê-se, pois, que, mesmo tomadas ao pé da letra, salvo o termo odiar, essas palavras não seriam a negação do mandamento que prescreve honrar pai e mãe, nem do sentimento de ternura paternal, e com mais forte razão se tomadas quanto ao espírito. Elas tinham por finalidade mostrar, por uma hipérbole, quanto era imperioso o dever de se ocupar com a vida futura. Deveriam, aliás, ser menos chocantes num povo e numa época em que, em conseqüência dos costumes, os laços de família tinham menos força do que numa civilização moral mais avançada; esses laços, mais fracos nos povos primitivos, se fortificam com o desenvolvimento da sensibilidade e do senso moral. A própria separação é necessária ao progresso; ocorre nas famílias, como nas raças; elas se abastardam se não há cruzamento, se não se enxertam umas nas outras; é uma lei natural, tanto no interesse do progresso moral quanto do progresso físico.

Essas coisas não são examinadas aqui senão do ponto de vista terrestre; o Espiritismo nos faz vê-las de mais alto, em nos mostrando que os verdadeiros laços de afeição são os do Espírito e não os do corpo; que esses laços não se rompem, nem pela separação, nem mesmo pela morte do corpo; que eles se fortalecem na vida espiritual pela depuração do Espírito: verdade consoladora que dá uma grande força para suportar as vicissitudes da vida. (Cap. IV, nº 18, cap. XIV, nº 8).

DEIXAI AOS MORTOS O CUIDADO DE ENTERRAR SEUS MORTOS

7. Ele disse a um outro: Segui-me; e ele lhe respondeu: Senhor, permiti-me ir antes enterrar meu pai. Jesus lhe respondeu: Deixai aos mortos o cuidado de enterrar seus