O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXIII 1193

obstinam tanto mais pelo orgulho quanto se parece ligar mais valor à sua conversão. Mais vale abrir os olhos a cem cegos que desejam ver claramente, do que a um único que se compraz na obscuridade, porque é aumentar o número dos que sustentam a causa em maior proporção. Deixar os outros tranqüilos não é indiferença, mas uma boa política; sua vez virá, quando serão dominados pela opinião geral, e ouvirão a mesma coisa repetida sem cessar ao seu redor; então crerão aceitar a idéia voluntariamente e por si mesmos, e não sob a pressão de um indivíduo. Depois, ocorre com as idéias o mesmo que com as sementes: elas não podem germinar antes da época, e somente em terreno preparado; por isso, é melhor esperar o tempo propício e cultivar primeiro as que germinam, para evitar que abortem as outras em as apressando muito.

Ao tempo de Jesus, e em conseqüência das idéias restritas e materiais da época, tudo estava circunscrito e localizado; a casa de Israel era um pequeno povo; os Gentios eram pequenos povos circundantes: hoje, as idéias se universalizam e se espiritualizam. A luz nova não é privilégio de nenhuma nação; para ela, não existem mais barreiras; tem seu foco por toda parte e todos os homens são irmãos. Mas também os Gentios não são mai s um povo, porém uma opinião que se encontra por toda parte, e da qual a verdade triunfa pouco a pouco, como o Cristianismo triunfou do Paganismo. Não é mais com as armas de guerra que são combatidos, mas com o poder da idéia.

OS SÃOS NÃO TÊM NECESSIDADE DE MÉDICO

11. Jesus, estando à mesa na casa desse homem (Mateus), aí vieram muitos publicanos e pessoas de má vida que se assentaram à mesa com Jesus e seus discípulos; o que os fariseus tendo visto, disseram aos seus discípulos: Por que vosso Mestre come com os publicanos e pessoas de má vida? Mas Jesus, os tendo ouvido, disse-lhes: Os sãos não têm necessidade de médico, mas os doentes. (São Mateus, cap. IX, v. 10, 11, 12).

12. Jesus se dirigia sobretudo aos pobres e aos deserdados, porque são os que têm maior necessidade de consolações; aos cegos dóceis e de boa fé, porque pedem para ver,