O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXV 1199

do espírito; após o alimento material, é preciso o alimento espiritual, e é assim que o homem passa da selvageria à civilização.

Mas o progresso que cada homem cumpre, individualmente, durante a sua vida, é bem pouca coisa, imperceptível mesmo num grande número; como então a Humanidade poderia progredir sem a preexistência e a reexistência da alma? As almas, indo-se cada dia para não mais voltarem, a Humanidade se renovaria sem cessar com os elementos primitivos, tendo tudo a fazer, tudo a aprender; não haveria, pois, razão para que o homem fosse mais avançado hoje do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que, a cada nascimento, todo o trabalho intelectual estaria por recomeçar. A alma, ao contrário, voltando com o seu progresso realizado, e adquirindo cada vez alguma coisa a mais, é assim que ela passa gradualmente da barbárie à civilização material, e desta à civilização moral. (Ver cap. IV, nº 17).

3. Se Deus houvesse isentado o homem do trabalho do corpo, seus membros estariam atrofiados; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal; por isso, lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás, trabalha e produzirás; dessa maneira, serás o filho das tuas obras, delas terás o mérito e serás recompensado segundo o que tiveres feito.

4. É pela aplicação desse princípio que os Espíritos não vêm poupar o homem do trabalho das pesquisas, trazendo-lhes descobertas e invenções feitas e prontas para produzir, de maneira a não ter que tomar senão o que se lhe colocasse na mão, sem ter o trabalho de se abaixar para recolher, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia se enriquecer, e o mais ignorante tornar-se sábio de graça, e um e outro se dar o mérito do que não teriam feito. Não, os Espíritos não vêm isentar o homem da lei do trabalho, mas mostrar-lhe o fim que deve atingir e o caminho que a ele conduz, dizendo-lhe: Caminha e chegarás. Encontrarás pedra sob os teus passos: olha, e tira-as tu mesmo; nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar. (O Livro dos Médiuns, cap. XXVI, nºs 291 e seguintes).

5. Sob o ponto de vista moral, aquelas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que deve clarear o vosso caminho,