O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXVI 1205

rigorosa. (São Lucas, cap. XX, v. 45, 46, 47. – São Marcos, cap. XII, v. 38, 39, 40 – São Mateus, cap. XXIII, v. 14).

4. Jesus disse também: Não façais pagar as vossas preces; não façais como os escribas que "sob o pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas"; quer dizer, abarcam as fortunas. A prece é um ato de caridade, um impulso do coração; fazer-se pagar pela que se dirige a Deus por outrem, é transformar-se em intermediário assalariado; a prece, então, é uma fórmula cujo comprimento se proporciona à soma que ela rende. Ora, de duas uma: Deus mede ou não mede suas graças pelo número das palavras; se são necessárias muitas, por que dizê-las poucas, ou quase nada, por aquele que não pode pagar? É uma falta de caridade; se uma só basta, o excesso é inútil; por que, pois, fazê-las pagar? É uma prevaricação.

Deus não vende os benefícios que concede; por que, pois, aquele que não é mesmo seu distribuidor, que não pode garantir a sua obtenção, faria pagar um pedido talvez sem resultado? Deus não pode subordinar um ato de clemência, de bondade ou de justiça que se lhe solicita de sua misericórdia, a uma soma em dinheiro; de outro modo, disso resultaria que se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a clemência de Deus seriam suspensas. A razão, o bom senso, a lógica, dizem que Deus, a perfeição absoluta, não pode delegar a criaturas imperfeitas o direito de pôr preço em sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol, que está para todos, para o pobre como para o rico. Se se considera imoral traficar as graças de um soberano da Terra, seria lícito vender as do soberano do Universo?

As preces pagas têm um outro inconveniente: aquele que as compra se crê, o mais freqüentemente, dispensado de orar, porque se considerou quite quando deu o seu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos são tocados por meio do pensamento daquele que se interesse por eles; qual pode ser o fervor daquele que encarrega um terceiro de orar por ele, pagando; qual é o fervor desse terceiro quando delega seu mandato a um outro, este a um outro, e assim por diante? Não é reduzir a eficácia da prece ao valor de uma moeda corrente?