O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXVII 1214

muito em número sobre a primeira. É, pois, evidente, que o homem é o autor da maioria das suas aflições, e que delas se pouparia se agisse sempre com sabedoria e prudência.

Não é menos certo que essas misérias são o resultado das nossas infrações às leis de Deus, e que se observássemos pontualmente essas leis, seríamos perfeitamente felizes. Se não ultrapassarmos o limite do necessário na satisfação das nossas necessidades, não teremos as doenças que são conseqüências dos excessos, e as vicissitudes que essas doenças ocasionam. Se colocarmos limite à nossa ambição, não temeremos a ruína. Se não quisermos subir mais alto do que podemos, não temeremos cair. Se formos humildes, não sofreremos as decepções do orgulho humilhado. Se praticarmos a lei da caridade, não seremos nem maldizentes, nem invejosos, nem ciumentos, e evitaremos as querelas e as dissensões. Se não fizermos mal a ninguém, não temeremos as vinganças, etc.

Admitamos que o homem nada pudesse sobre os outros males; que toda prece seja supérflua para deles se preservar, já não seria muito estar livre de todos aqueles que provêm de si mesmo? Ora, aqui a ação da prece se concebe facilmente, porque ela tem por efeito evocar a inspiração salutar dos bons Espíritos, de pedir-lhes a força para resistir aos maus pensamentos, cuja execução pode nos ser funesta. Nesse caso, não é o mal que afastam, mas a nós mesmos do pensamento que pode causar o mal; eles não entravam em nada os decretos de Deus, nem suspendem o curso das leis da Natureza, mas nos impedem de infringir essas leis, dirigindo nosso livre arbítrio; mas o fazem com o nosso desconhecimento, de maneira oculta, para não acorrentar a nossa vontade. O homem se encontra, então, na posição daquele que solicita bons conselhos e os coloca em prática, mas que está sempre livre de segui-los ou não. Deus quer que seja assim para que tenha a responsabilidade dos seus atos, e deixa-lhe o mérito da escolha entre o bem e o mal. Isso o homem sempre pode obter se pede com fervor, e é ao que pode, sobretudo, se aplicar estas palavras: "Pedi e obtereis."

A eficácia da prece, mesmo reduzida a essa proporção, não teria um resultado imenso? Estava reservado ao Espiritismo nos provar sua ação pela revelação dos inter-