O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXVIII 1228

necessidade; consiste também no esquecimento e no perdão das ofensas. Com que direito reclamaríamos a vossa indulgência, se nós mesmos faltamos com ela em relação àqueles dos quais temos do que nos queixar?

Dai-nos, ó meu Deus, a força para sufocar em nossa alma todo ressentimento, todo ódio e todo rancor; fazei com que a morte não nos surpreenda com um desejo de vingança no coração. Se vos apraz nos retirar hoje mesmo deste mundo, fazei com que possamos nos apresentar a vós puros de toda animosidade, a exemplo do Cristo, cujas últimas palavras foram por seus algozes. (Cap. X).

As perseguições que os maus nos fazem suportar fazem parte das nossas provas terrestres; devemos aceitá-las sem murmurar, como todas as outras provas, e não maldizer aqueles que, por sua maldade, nos abrem o caminho da felicidade eterna, porque dissestes pela boca de Jesus: "Bem-aventurados aqueles que sofrem pela justiça!" Bendigamos, pois, a mão que nos fere e nos humilha, porque as contusões do corpo fortalecem nossa alma, e seremos levantados da nossa humildade. (Cap. XII, nº 4).

Bendito seja o vosso nome, Senhor, por nos haverdes ensinado que a nossa sorte não está irremediavelmente fixada depois da morte; que encontraremos em outras existências os meios de resgatar e de reparar as nossas faltas passadas, de cumprir numa nova vida o que não pudemos fazer nesta por nosso adiantamento. (Cap. IV; cap. V, nº5).

Assim se explicam, enfim, todas as anomalias aparentes da vida; é a luz lançada sobre nosso passado e nosso futuro, o sinal radioso da vossa soberana justiça e da vossa bondade infinita.

VI. Não nos abandoneis à tentação, mas livrai-nos do mal (1).

Dai-nos, Senhor, a força de resistir às sugestões dos maus Espíritos que tentarem nos desviar do caminho do bem, em nos inspirando maus pensamentos.


(1) Certas traduções trazem: Não nos induzais em tentação (et ne nos inducas in tentationem); essa expressão daria a entender que a tentação vem de Deus; que ele compele voluntariamente os homens ao mal, pensamento blasfematório que assemelharia Deus a Satã, e não pode ter sido o de Jesus. Ela está, de resto, conforme a doutrina vulgar sobre o papel dos demônios. (Ver O Céu e o Inferno, cap. X, os Demônios).