O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - CAPÍTULO XXVIII 1249

POR NOSSOS INIMIGOS E PELOS QUE NOS QUEREM MAL

46. PREFÁCIO. Jesus disse: Amai mesmo os vossos inimigos. Esta máxima é o sublime da caridade cristã; mas, com ela, Jesus não quer dizer que devemos ter para com os nossos inimigos a ternura que temos para com os nossos amigos; ele nos disse, com essas palavras, para esquecer suas ofensas, perdoar o mal que nos fazem, pagar o mal com o bem. Além do mérito que isso resulta aos olhos de Deus, mostra aos olhos dos homens a verdadeira superioridade. (Cap. XII, nºs 3 e 4).

47. PRECE. Meu Deus, perdôo a N... o mal que me fez e o que quis me fazer, como desejo q ue me perdoeis, e que ele também me perdoe as injustiças que eu possa ter cometido. Se o colocastes no meu caminho como uma prova, que seja feita a vossa vontade.

Desviai de mim, meu Deus, a idéia de maldizê-lo, e todo desejo malévolo contra ele. Fazei com que eu não experimente nenhuma alegria com as infelicidades que poderiam lhe chegar, nem nenhuma inquietação com os bens que poderiam lhe ser concedidos, a fim de não enlamear minha alma com pensamentos indignos de um cristão.

Possa a vossa bondade, Senhor, em se estendendo sobre ele, conduzi-lo aos melhores sentimentos para comigo.

Bons Espíritos, inspirai-me o esquecimento do mal e a lembrança do bem. Que nem o ódio, nem o rancor, nem o desejo de lhe retribuir o mal com o mal entrem em meu coração, porque o ódio e a vingança não pertencem senão aos maus Espíritos, encarnados e desencarnados. Que eu esteja pronto, ao contrário, em lhe estender mão fraterna, a lhe retribuir o mal com o bem, e vir em sua ajuda se isso estiver em meu poder.

Desejo, para provar a sinceridade de minhas palavras, que me seja oferecida ocasião de lhe ser útil; mas sobretudo, meu Deus, preservai-me de fazê-lo por orgulho ou ostentação, em o oprimindo por uma generosidade humilhante, o que me faria perder o fruto da minha ação, porque então eu mereceria que estas palavras do Cristo me fossem aplicadas: Já recebestes vossa recompensa. (Cap. XIII, nºs 1 e seguintes).