O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. II - ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS 125

não entendem as coisas abstratas, como ocorre, entre vós, com as crianças. Há também Espíritos pseudo-sábios que fazem desfile de palavras para se imporem, como ocorre, ainda, entre vós. Aliás, os próprios Espíritos esclarecidos, freqüentemente, podem se exprimir em termos diferentes que, no fundo, têm o mesmo valor, sobretudo quando se trata de coisas que a vossa linguagem é inadequada para exprimir claramente; precisam de figuras, de comparações que tomais pela realidade.

144 - Que se deve entender por alma do mundo?

- É o princípio universal da vida e da inteligência de onde se originam as individualidades. Mas aqueles que se servem dessas expressões, freqüentemente, não se compreendem uns aos outros. A palavra alma é tão elástica que cada um a interpreta ao sabor das suas fantasias. Já se atribuiu, também, uma alma à Terra; é preciso entendê-la como o conjunto dos Espíritos devotados que dirigem as vossas ações no bom caminho quando os escutais, e que, de certa maneira, são os prepostos de Deus com relação à Terra.

145 - Como se explica que tantos filósofos, antigos e modernos, tenham discutido tanto tempo sobre a ciência psicológica sem terem alcançado a verdade?

- Esses homens eram precursores da doutrina espírita eterna; prepararam os caminhos, mas eram homens, e se enganaram por tomarem as próprias idéias pela luz. Mas os próprios erros servem para deduzir a verdade mostrando o pró e o contra. Aliás, entre esses erros se encontram grandes verdades, que um estudo comparativo vos faz compreender.

146 - A alma tem uma sede determinada e circunscrita no corpo?

- Não; mas ela está mais particularmente na cabeça dos grandes gênios, em todos aqueles que pensam muito, e no coração, naqueles que sentem muito e dirigem suas ações a toda a Humanidade.

- Que pensar da opinião daqueles que situam a alma num centro vital?

- Quer dizer que o Espírito habita, de preferência, essa parte do vosso organismo, uma vez que é para lá que con-