O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. II - ENCARNAÇÃO DOS ESPÍRITOS 126

vergem todas as sensações. Aqueles que a situam no que consideram como o centro da vitalidade, confundem-na com o fluido ou princípio vital. Contudo, pode-se dizer que a sede da alma está mais particularmente nos órgãos que servem às manifestações intelectuais e morais.

MATERIALISMO.

147 - Por que os anatomistas, os fisiologistas e, em geral, aqueles que se aprofundam nas ciências naturais são, com freqüência, levados ao materialismo?

- O fisiologista narra tudo aquilo que vê. Orgulho dos homens que crêem tudo saber e não admitem que alguma coisa possa ultrapassar os seus conhecimentos. Sua própria Ciência os torna presunçosos; pensam que a Natureza não pode ocultar-lhes nada.

148 - Não é de lamentar que o materialismo seja uma conseqüência de estudos que deveriam, ao contrário, mostrar ao homem a superioridade da inteligência que governa o mundo? É necessário concluir que eles são perigosos?

- Não é verdade que o materialismo seja uma conseqüência desses estudos; o homem é quem tira deles uma falsa conseqüência, porque ele pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas. O nada, aliás, os amedronta mais do que o demonstram, e os espíritos fortes, são, freqüentemente, mais fanfarrões que corajosos. No mais das vezes, são materialistas por não terem nada com que encher o vazio do abismo que se abre diante deles. Mostre-lhes uma âncora de salvação e a ela se agarrarão apressadamente.

Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não vêem nos seres orgânicos senão a ação da matéria a que atribuem todos os nossos atos. Não vêem no corpo humano senão a máquina elétrica; não estudaram o mecanismo da vida senão pelo funcionamento dos órgãos que viram se apagar, freqüentemente, pela ruptura de um fio, e não viram nada mais que esse fio. Pesquisaram se restava alguma coisa e como não encontraram mais que a matéria, que se tornara inerte, e não viram a alma escapar-se, não a puderam apanhar, concluíram que tudo estava nas propriedades da matéria e, assim, depois da morte o pensamento se aniquilava. Triste conseqüência se assim fora, porque então o bem e o mal não teriam finalidade. O homem teria razão em pensar só em si mesmo e em colocar, acima de tudo, a satisfação dos seus prazeres materiais. Os laços sociais se quebrariam e as mais santas afeições