O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO II - TEMOR DA MORTE 1293

CAPÍTULO II

TEMOR DA MORTE

Causas do temor da morte . – Por que os espíritas não temem a morte.

CAUSAS DO TEMOR DA MORTE

1. – O homem, qualquer que seja o grau da escala a que pertença, desde o estado de selvageria, tem o sentimento inato do futuro; sua intuição lhe diz que a morte não é a última palavra da existência, e aqueles que choramos não estão perdidos para sempre. A crença no futuro é intuitiva, e infinitamente mais geral do que a do nada. Como ocorre, pois, que, entre os que crêem na imortalidade da alma, se encontre ainda tanto apego às coisas da Terra, e um tão grande temor da morte?

2. – O temor da morte é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação, comum a todos os seres vivos. Ele é necessário enquanto o homem não estiver bastante esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso ao arrebatamento que, sem esse freio, levá-lo-ia a deixar prematuramente a vida terrestre, e a negligenciar o trabalho, neste mundo, que deve servir ao seu próprio adiantamento.

É por isso que, entre os povos primitivos, o futuro não era senão uma vaga intuição, mais tarde uma simples esperança, mais tarde, enfim, uma certeza, mas ainda contra-balançada por um secreto apego à vida corporal.

3. – À medida em que o homem compreende melhor a vida futura, o medo da morte diminui; mas, ao mesmo tempo,