O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. III - RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL 130

integrante dessa assembléia e, todavia , tens sempre a tua individualidade.

152 - Que prova poderemos ter da individualidade da alma após a morte?

- Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fôsseis surdos, ouviríeis, pois, freqüentemente, uma voz vos fala, revelando a existência de um ser fora de vós.

Aqueles que pensam que com a morte a alma retorna ao todo universal, estão errados se entendem com isso que, semelhante a um gota d’água que cai no Oceano, ela aí perde a sua individualidade; eles estão certos se entendem pelo todo universal o conjunto dos seres incorpóreos do qual cada alma ou Espírito é um elemento.

Se as almas estivessem confundidas na massa, não teriam senão as qualidades do conjunto e nada as distinguiria, uma das outras. Elas não teriam nem inteligência nem qualidades próprias, ao passo que, em todas as comunicações, elas acusam a consciência do seu eu e uma vontade distinta. A infinita diversidade que apresentam durante todas as comunicações é a conseqüência mesma das individualidades. Se não houvesse, após a morte, senão isto que chamam o grande Todo, absorvendo todas as  individualidades, este todo seria uniforme, e, desta maneira, todas as comunicações que se recebesse do mundo invisível, seriam idênticas. Uma vez que aí se encontram seres bons e outros maus, sábios e ignorantes, felizes e infelizes, alegres e tristes, levianos e sérios, etc., é evidente que são seres distintos. A  individualidade se mostra mais evidente quando esses seres provam sua identidade por sinais incontestáveis, por detalhes pessoais relativos à sua vida terrestre e que podem ser constatados. Ela não pode  ser colocada em dúvida quando se mostram visíveis nas aparições. A individualidade da alma nos era ensinada em teoria como um arti-go de fé; o Espiritismo a torna patente e, de certo modo, material.

153 - Em que sentido se deve entender a vida eterna?

- É a vida do Espírito que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.

- Não seria mais exato chamar vida eterna a dos Espíritos puros, que, atingindo o grau de perfeição, não têm mais provas a suportar?

- É antes a felicidade eterna; mas isto é uma questão de palavras; chamai as coisas como quiserdes, contanto que vos entendais.