O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO III - O CÉU 1301

se à conclusão; quer dizer, que partindo do conhecido se chega ao desconhecido por uma dedução lógica, sem falar das observações diretas que o Espiritismo faculta.

5. – O homem é composto do corpo e de Espírito; o Espírito é o ser principal, o ser da razão, o ser inteligente; o corpo é o envoltório material que reveste, temporariamente, o Espírito para o cumprimento da sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário ao seu adiantamento. O corpo, usado, se destrói, e o Espírito sobrevive à sua destruição. Sem o Espírito, o corpo não é senão matéria inerte, como um instrumento privado do braço que o faz agir; sem o corpo, o Espírito é tudo; a vida e a inteligência. Deixando o corpo, ele reentra no mundo espiritual de onde saiu para se encarnar.

Há, pois, o mundo corporal, composto de Espíritos encarnados, e o mundo espiritual, composto de Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, pelo próprio fato do seu envoltório material, estão ligados à Terra ou a um globo qualquer; o mundo espiritual está por toda parte, ao nosso redor e no espaço; nenhum limite lhe está assinalado. Em razão da natureza fluídica do seu envoltório, os seres que o compõem, em lugar de se arrastarem penosamente sobre o solo, vencem distâncias com a rapidez do pensamento. A morte do corpo é a ruptura dos laços que os mantêm cativos.

6. – Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas com aptidão de tudo adquirir e progredir, em virtude do seu livre arbítrio. Pelo progresso, adquirem novos conhecimentos, novas faculdades, novas percepções, e, por conseguinte, novos gozos desconhecidos aos Espíritos inferiores; eles vêem, ouvem, sentem e compreendem o que os Espíritos atrasados não podem nem ver, nem ouvir, nem sentir, nem compreender. A felicidade está em razão do progresso alcançado; de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz como o outro, unicamente porque não é tão avançado intelectualmente e moralmente, sem que tenham necessidade de estarem, cada um, em lugar distinto. Embora estando um ao lado do outro, um pode estar nas trevas, enquanto tudo é resplandecente ao redor do outro, absolutamente como para um cego e um vidente que se dão as mãos; um percebe a luz, que não faz nenhuma impressão sobre seu vizinho. A felicidade dos Espíritos, sendo inerente às qualidades que possuem, eles a haurem por toda parte