O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO III - O CÉU 1302

onde a encontram, na superfície da Terra, no meio dos encarnados ou no espaço.

Uma comparação vulgar fará compreender melhor esta situação. Se, em um concerto, se encontrem dois homens, um bom músico, de ouvido experimentado, outro sem conhecimento da música e com sentido de audição pouco delicado, o primeiro experimenta uma sensação de felicidade, enquanto que o segundo permanece insensível, porque um compreende e percebe o que não causa nenhuma impressão sobre o outro. Assim ocorre com todos os gozos dos Espíritos, que estão em razão de sua aptidão em senti-los. O mundo espiritual tem, por toda parte, esplendores, harmonias, e sensações que os Espíritos inferiores, ainda submetidos à influência da matéria, nada entrevêem, e que não são acessíveis senão aos Espíritos depurados.

7. – O progresso, entre os Espíritos, é o fruto do seu próprio trabalho; mas, como são livres, trabalham para seu adiantamento com mais ou menos de atividade ou de negligência, segundo a sua vontade; eles apressam, assim, ou retardam o seu progresso, e, por conseqüência, a sua felicidade. Ao passo que uns avançam rapidamente, outros estacionam, longos séculos, nas faixas inferiores. São, pois, os próprios artífices de sua situação, feliz ou infeliz, segundo estas palavras do Cristo: "A cada um segundo as suas obras!" Todo Espírito que permanece em atraso não pode disso culpar senão a si mesmo, do mesmo modo que, aquele que avança, tem todo o mérito; a felicidade que conquistou não tem preço aos seus olhos.

A felicidade suprema não é o quinhão senão dos Espíritos perfeitos, de outro modo dito, dos puros Espíritos. Eles não a alcançam senão depois de terem progredido em inteligência e em moralidade. O progresso intelectual e o progresso moral raramente marcham lado a lado; mas o que o Espírito não faz em um tempo, ele o fará em outro, de maneira que os dois progressos acabam por atingirem  o  mesmo nível. É a razão pela qual vêem-se,  freqüentemente,  homens inteligentes e instruídos  pouco  avançados  moralmente,  e vice-versa.

8. – A encarnação é  necessária  ao  duplo  progresso, moral e intelectual, do Espírito: ao progresso intelectual,