O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO III - O CÉU 1308

18. – Nessa imensidade sem limites, onde, pois, está o céu? Está por toda a parte; nada o cerca nem lhe serve de limites; os mundos felizes são as últimas estações que a ele conduzem; as virtudes lhe franqueiam o caminho, os vícios lhe interditam o acesso.

Ao lado deste quadro grandioso que povoa todos os cantos do Universo, que dá a todos os objetos da criação uma finalidade e uma razão de ser, quanto é pequena e mesquinha a doutrina que circunscreve a Humanidade num imperceptível ponto do espaço, que no-la mostra começando em um instante dado para acabar, igualmente, um dia, com o mundo que a carrega, não abarcando, assim, senão um minuto na eternidade! Quanto é triste, fria e glacial, quando nos mostra o resto do Universo antes, durante e depois da Humanidade terrestre, sem vida, sem movimento, como um imenso deserto mergulhado no silêncio! Quanto é desesperadora, pela pintura que faz de um pequeno número de eleitos devotados à contemplação perpétua, ao passo que a maioria das criaturas está condenada a sofrimentos sem fim! Quanto é dolorosa, para os corações que amam, pela barreira que coloca entre os mortos e os vivos! As almas felizes, diz-se, não pensam senão em sua felicidade; as que são infelizes, em suas dores. É de admirar que o egoísmo reine sobre a Terra, quando se mostra no céu! Quanto, então, é estreita a idéia que ela dá da grandeza, do poder e da bondade de Deus!

Quanto é sublime, ao contrário, a que lhe dá o Espiritismo! Quanto a sua doutrina engrandece as idéias, alarga o pensamento! – Mas, quem disse que ela é verdadeira? A razão primeiro, a revelação em seguida, depois a sua concordância com o progresso da ciência. Entre duas doutrinas, onde uma diminui e a outra estende os atributos de Deus; onde uma está em desacordo e a outra em harmonia com o progresso; onde uma permanece na retaguarda e a outra caminha adiante, o bom senso nos diz de qual lado está a verdade. Que, na presença das duas, cada um, em seu foro interior, interrogue as suas aspirações, e uma voz íntima lhe responderá. As aspirações são a voz de Deus, que não pode enganar os homens.

19. – Mas, então, por que Deus, desde o princípio não lhes revelou toda a verdade? Pela mesma razão que não se ensina à infância o que se ensina à idade madura. A revelação