O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO III - O CÉU 1309

restrita era suficiente durante um certo período da Humanidade: Deus a proporciona às forças do Espírito. Aqueles que recebem, hoje, uma revelação mais completa, são os mesmos Espíritos que já receberam uma parcela em outros tempos, mas que depois cresceram em inteligência.

Antes que a ciência tivesse revelado aos homens as forças vivas da Natureza, a constituição dos astros, o verdadeiro papel e a formação da Terra, teriam compreendido a imensidade do espaço, a pluralidade dos mundos? Antes que a geologia tivesse provado a formação da Terra, poderiam desalojar o inferno do seu seio, e compreenderem o sentido alegórico dos seis dias da criação? Antes que a astronomia tivesse descoberto as leis que regem o Universo, poderiam compreender que não há nem alto nem baixo no espaço, e que o céu não está acima das nuvens, nem limitado pelas estrelas? Antes do progresso da ciência psicológica, poderiam se identificar com a vida espiritual? Conceberem, depois da morte, uma vida feliz ou infeliz, de outra maneira que em um lugar circunscrito e sob uma forma material? Não; compreendendo mais pelo sentido do que pelo pensamento, o Universo era muito vasto para o seu cérebro; seria preciso reduzi-lo a proporções menos extensas para colocá-lo ao seu ponto de vista, salvo para ampliá-lo mais tarde. Uma revelação parcial tinha sua utilidade; era sábia então, e é insuficiente hoje. O erro está naqueles que, não levando em conta o progresso das idéias, crêem poder governar os homens maduros com as andadeiras da infância. (Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. III.)