O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO IV - O INFERNO 1321

pelos males que fizeram, mas por terem negligenciado o bem que tinham o dever de fazer. Todos os crimes dos povos, que se originam da negligência com a qual se faz observar as leis, eram imputados aos reis, que não devem reinar senão a fim de que as leis reinem pela sua intervenção. Imputava-se-lhes, também, todas as desordens originadas do fausto, do luxo e de todos os outros excessos que atiram os homens em um estado violento e na tentação de desprezarem as leis para adquirirem bens. Sobretudo tratava-se rigorosamente aos reis, que, em lugar de serem bons e vigilantes pastores dos povos, não sonharam senão arruinarem o rebanho, como lobos devoradores.

"Mas, o que consternou mais a Telêmaco foi ver, nesse abismo de trevas e males, um grande número de reis que, tendo passado na Terra por reis bastante bons, foram condenados às penas do Tártaro por se terem deixado governar por homens maus e astuciosos. Estavam punidos pelos males que tinham deixado fazer com a sua autoridade. Além disso, a maioria desses reis, não foi nem boa e nem má, tanto a sua fraqueza fora grande; não temeram jamais o não conhecerem a verdade; nunca tiveram o gosto da virtude, nem colocaram o seu prazer em fazerem o bem."

QUADRO DO INFERNO CRISTÃO

11. – A opinião dos teólogos sobre o inferno está resumida nas citações seguintes (1). Essa descrição, tendo sido tomada dos autores sacros e na vida dos santos, pode muito melhor ser considerada como a expressão da fé ortodoxa nessa matéria, sendo, a cada instante, reproduzida, com algumas variantes aproximadas, nos sermões do púlpito evangélico e nas instruções pastorais.

12. – "Os demônios são puros Espíritos, e os condenados, presentemente no inferno, podem também ser considerados puros Espíritos, uma vez que apenas a sua alma para aí desceu, e que a sua ossada, tornada à poeira, se transforma, incessantemente em ervas, em plantas, em frutos, em minerais, em líquidos, sofrendo, sem o saber, as contínuas metamorfoses da matéria. Mas os condenados, como os santos,


(1) Estas citações foram tiradas da obra intitulada O Inferno, por Auguste Callet.