O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO IV - O INFERNO 1326

seus chefes, comunidades monásticas mais humildemente submissas aos seus superiores (1).

"Aliás, conhece-se muito pouco a populaça dos demônios, esses vis Espíritos dos quais são compostas as legiões de vampiros, vampiras, de sapos, de escorpiões, de corvos, de hidras, de salamandras e outras bestas sem nome, que constituem a fauna das regiões infernais; mas se conhecem e se nomeiam a vários dos príncipes que comandam essas regiões, entre outros Belfegor, o demônio da luxúria; Abadon ou Apolion, o demônio do homicídio; Belzebu, o demônio dos desejos impuros, ou o senhor das moscas que engendram a corrupção; e Mamon, o demônio da avareza, e Moloc, Belial, Baalgad, Astarot, e muitos outros, e acima deles seu chefe universal, o sombrio arcanjo que, no céu, tinha o nome de Lúcifer, e que leva, no inferno, o de Satã.

"Eis aqui, em resumo, a idéia que nos dão do inferno, considerado do ponto de vista da sua natureza física e das penas físicas que aí se suportam. Abri os escritos dos Pais e dos antigos Doutores; interrogai as nossas piedosas lendas; olhai   as  esculturas  e os quadros  de  nossas  igrejas; prestai ouvido  ao  que se diz nos  púlpitos  e  aprendereis  bem mais."

13. – O autor faz seguir esse quadro das reflexões seguintes, das quais cada um compreenderá a importância:

"A ressurreição dos corpos é um milagre; mas Deus faz um segundo milagre, para dar a esses corpos mortais, já usados uma vez pelas passageiras provas da vida, já uma vez aniquilados, a virtude de subsistirem, sem se desfazerem, em uma fornalha onde se evaporam os metais. Que se diga que a alma seja seu próprio verdugo, que Deus não persegue, mas que a abandona no estado de infelicidade que ela escolher, isso pode-se, a rigor, compreender, embora o abandono


(1) Esses mesmos demônios, rebeldes a Deus por causa do bem, são de uma docilidade exemplar para fazerem o mal; nenhum deles recua e nem se abranda durante a eternidade. Que estranha metamorfose se operou neles, que foram criados puros e perfeitos como os anjos!

Não é singular vê-los dar o exemplo do perfeito acordo, da harmonia, da concórdia inalterável, quando os homens não sabem viver em paz e se atormentam na Terra? Vendo o luxo do castigo reservado aos condenados, e comparando a sua situação com a dos demônios, pergunta-se aos quais se devem mais lastimar: os verdugos ou as vítimas?