O LIVRO DOS ESPÍRITOS - LIVRO II - CAP. III - RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL 133

de vista em sua permanência sobre a Terra. Vê aqueles que estão na erraticidade, aqueles que estão encarnados, e os vai visitar.

161- Na morte violenta e acidental, quando os órgãos não estão, ainda, enfraquecidos pela idade ou pelas doenças, a separação da alma e a cessação da vida ocorrem simultaneamente?

- Geralmente é assim, mas em todos os casos o instante que os separa é muito curto.

162 - Após a decapitação, por exemplo, o homem conserva por alguns instantes a consciência dele mesmo?

- Freqüentemente, ele a conserva por alguns minutos, até que a vida orgânica esteja completamente extinta. Mas, muitas vezes, também a expectativa da morte lhe faz perder esta consciência antes do instante do suplício.

Trata-se  aqui  da  consciência  que  o  supliciado  pode  ter de si mesmo, como homem e por intermédio dos órgãos e não como Espírito. Se não perdeu esta consciência antes do suplício, pode conservá-la alguns instantes, que são de breve duração, e que cessa necessariamente com a vida orgânica do cérebro, o que não quer dizer que o perispírito esteja inteiramente desligado do corpo. Ao contrário, em todos os casos de morte violenta, quando ela não resulta da extinção gradual das forças vitais, os laços que prendem o corpo ao perispírito são mais tenazes, e o desligamento completo é mais lento.

PERTURBAÇÃO ESPÍRITA.

163 - A alma, deixando o corpo, tem imediata consciência de si mesma?

- Consciência imediata, não é bem o termo. Ela passa algum tempo em estado de perturbação.

164 - Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e durante o mesmo tempo, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?

- Não, isso depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado se reconhece quase imediatamente, visto que já se libertou da matéria durante a vida física, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência não é pura, conserva por tempo mais longo a impressão dessa matéria.