O CÉU E O INFERNO - PRIMEIRA PARTE - DOUTRINA - CAPÍTULO V - O PURGATÓRIO 1333

proveito. Não vale mais para ele retornar à Terra com a possibilidade de ganhar o céu do que ser condenado, sem remissão, ao deixá-la? Essa liberdade que lhe é concedida é uma prova da sabedoria, da bondade e da justiça de Deus, que quer que o homem deva tudo aos seus esforços e seja o artífice de seu futuro; se é infeliz, e se o é por um menor ou maior tempo, disso não pode culpar senão a si mesmo: o caminho do progresso lhe está sempre aberto.

7. – Se se considera o quanto é grande o sofrimento de certos Espíritos culpados, no mundo invisível, o quanto é terrível a situação de alguns, de quantas ansiedades são vítimas, e o quanto essa situação se torna mais penosa pela impotência em que estão de ver-lhe o fim, poder-se-ia dizer que, para eles, é o inferno, se essa palavra não implicasse a idéia de um castigo eterno e material. Graças à revelação dos Espíritos, e aos exemplos que nos oferecem, sabemos que a duração da expiação está subordinada ao melhoramento do culpado.

8. – O Espiritismo não vem, pois, negar a penalidade futura; ao contrário, vem constatá-la. O que ele destrói é o inferno localizado, com as suas fornalhas e as suas penas irremissíveis. Não nega o purgatório, uma vez que prova que nele estamos; define-o e o precisa, explicando a causa das misérias terrestres, e com isso nele faz crerem os que o negam.

Rejeita as preces pelos mortos? Bem ao contrário, uma vez que os Espíritos sofredores as solicitam; que delas faz um dever de caridade e demonstra-lhes a eficácia para conduzi-los ao bem, e, por esse meio, abreviar os seus tormentos (1). Falando à inteligência, tem disseminado a fé entre os incrédulos, e a prece entre aqueles que dela zombavam. Mas disse que a eficácia das preces está no pensamento e não nas palavras, que as melhores são as do coração e não as dos lábios, as que se diz a si mesmo, e não aquelas que se fazem dizer pelo dinheiro. Quem, pois, ousaria censurá-lo?

9. – Que o castigo tenha lugar na vida espiritual ou na Terra, e qualquer que seja a sua duração, tem sempre um fim,


(1) Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXVII: Ação da prece.